segunda-feira , outubro 23 2017
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6 bilionários brasileiros concentram a riqueza da metade mais pobre da população nacional

Esta semana saiu um estudo realizado pela ONG britânica Oxfam, que revela que apenas 5% dos mais ricos no Brasil possuem a mesma fatia de renda que os outros 95% da população. Destes 5%, seis pessoas, apenas, concentram a mesma riqueza que 100 milhões de pessoas, ou seja, metade da população do Brasil (207,7 milhões).

Dentre as seis pessoas mais ricas do país estão banqueiros, como Joseph Safra (Banco Safra), os empresários Jorge Paulo Lemann (classificado como a 19ª pessoa mais rica do mundo, de acordo com a Forbes), Marcel Hermmann Telles (cuja fortuna estimada em 2016 foi de R$48,69 bilhões de reais) e Eduardo Saverin, um dos cinco cofundadores do Facebook.

De acordo com a pesquisa realizada, se os seis bilionários decidissem gastar um milhão de reais por dia, juntos, esgotariam o seu patrimônio só depois de 36 anos, e também mostra que, para receber o valor que recebe um dos mais ricos do Brasil em apenas um mês, uma pessoa que recebe um salário mínimo (R$ 937 reais) teria que trabalhar por 19 anos seguidos.

O estudo também aponta que, seguindo esta mesma linha de desenvolvimento socioeconômico dos últimos 20 anos no Brasil, as mulheres só passariam a ganhar o mesmo que os homens em 2047 e os negros só passariam a ganhar o mesmo que os brancos apenas em 2089.

O Brasil hoje está entre os 10 países mais desiguais do mundo, de acordo com o ranking de desigualdade social da ONU (Organização das Nações Unidas).

Esta mesma ONG lançou no começo deste ano um relatório afirmando que 8 bilionários no mundo possuem acumulado a mesma renda de metade da população mundial. Dentre eles estão o fundador da Microsoft, Bill Gattes; Amancio Ortega, da Inditex (dono da Zara); Jeff Bezos, da Amazon; Mark Zuckerberg, do Facebook, entre outros.

Imagine que uma família de 4 pessoas com renda mensal de R$1600, 00 precisaria trabalhar 95 anos e 8 meses para ter a renda mensal de um multimilionário, que é de R$ 456.474 por mês. Isso equivale à 570 salários mínimos. Para a população mais pobre do país esse tempo seria de 316 anos para alcançar o valor da renda mensal de um multimilionário. Para os deputados brasileiros com seus super salários e privilégios, demoraria apenas 3 anos para alcançar essa quantia.

Todos esses dados mostram que a crise econômica pela qual o país atravessa não afetou a renda destes empresários e banqueiros, ao contrário do que acontece com a maioria esmagadora da população brasileira e também mundial. A riqueza se concentra cada vez mais nas mãos de uma pequena porção de poderosos enquanto os trabalhadores acabam sendo atingidos em cheio com o desemprego, a perda de direitos, a inflação e a carestia de vida.

O monopólio e a concentração de renda cada vez maior são frutos das movimentações do modo de produção capitalista, e a ideia de um capitalismo concorrencial em que todos poderiam atingir as benesses da riqueza apenas com seu trabalho se tornou um mito que ficou para os iludidos de dois séculos atrás. O capitalismo funciona à base desta concentração, que tem como consequência irremediável a desigualdade na distribuição de renda, e foi justamente por esta lei fundamental deste modo de produção que ele pôde se desenvolver.

A única forma de dar uma saída para esta situação de tremenda desigualdade e descontentamento social gerado pela crise capitalista e pelo aumento da carestia de vida, que contrasta à crescente fortuna de um punhado de homens, é por meio da organização de uma alternativa política que seja de fatos dos trabalhadores, independente de bilionários e de quaisquer alternativas políticas de banqueiros ou empresários, que se enfrente com os privilégios dos capitalistas, que lute contra a desigualdade e este modo de produção, batalhe pela taxação das grandes fortunas, combata o desemprego por meio da redução da jornada de trabalho sem redução dos salários. Somente um programa anticapitalista e revolucionário pode atender efetivamente à demanda da grande maioria da população mundial e colocar abaixo esta desigualdade social.

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