terça-feira , agosto 22 2017
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A revolução dos patos amarelos veste capa preta, por Fuad Faraj

Categoria: 

Justiça

Sugestão de C. Poivre

do Justificando

A Revolução dos Patos Amarelos Veste Capa Preta

por Fuad Faraj

Nine, a caçada ao Molusco Vermelho é cartaz de grande sucesso há mais de 3 anos na República de Curitiba. Nine Fingers é o inimigo a ser abatido num processo penal em que o Juiz escalado para o condenar é retratado como seu Antagonista nas capas das revistas de fim de feira. Sua leitura é deglutida em roupa domingueira entre uma garfada de fraldinha na mostarda e um gole da cerveja “gormete” do momento. Ruim, choca, caríssima, mas “artesanal”, ainda que fabricada em escala industrial. A perfeita cerveja do otariado arrivista. Arrotos cerimoniosos, contidos, entre gente viajada, made in miami, limpinha e refinada, prefaciam uma rodada a mais de vitupérios inflamados contra quem teria inaugurado nesta terra conquistada dos índios em 1500 toda a sorte de iniquidades.

O arreganhar de dentes e a espuma na boca prometem outros tantos xingamentos de calão ainda mais baixo, entre um grunhido e outro daquilo que, após vertido para o português, pode ser entendido por pobrarada, empreguete, sem-terra, bolsa-família, médico cubano, rouanet e cotista. Há, percebe-se, sem adentrar no mérito das reclamações, um sentimento ancestral, atávico, próprio de quem nutre o mais profundo ódio contra aqueles que lhe são social ou economicamente subordinados, como o escravo, o empregado, o pobre submisso, a mulher, o imigrante, o “favelado”, como se estes fossem a origem de todas os males sociais e a causa da vida medíocre de seus algozes. Há genuíno prazer em bater em quem não pode se defender. Êxtase e catarse. Glória e gozo. Nossa pós-modernidade, irônica e malfazeja, fez reencarnar os aristocratas do final do século XIX nos corpos dessa gente, cujos antepassados foram explorados e constituem, em sua maioria, imigração recente de povos que fugiram da fome nos campos da Europa. É uma sociedade velha, ainda que nova, ancorada em dois fundamentos: 1- A casta social da gente de bem é para poucos. 2- O resto é escória social.

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