sexta-feira , dezembro 15 2017
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Fernando Horta

Fernando Horta: Do umbigo à tirania, o Brasil dos justiceiros

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Opinião

Do umbigo à tirania, o Brasil dos justiceiros

por Fernando Horta

O Lawfare, o uso da lei para ataques políticos, é muito antigo.

O primeiro caso que eu conheço é com Amenófis IV, em 1300 a.C, no Egito. Naquela época, a lei estava ligada à fé e à vontade do faraó. Muito semelhante ao momento atual brasileiro. Amenófis IV, percebendo a força política dos sacerdotes dentro do politeísmo egípcio, transforma abruptamente a religião nas terras do Nilo em uma Monolatria. Amenófis ordenou que apenas o deus Aton fosse cultuado e trocou seu próprio nome para Ankh-Aton, que o ocidente moderno traduziu para Akenaton, “o adorador de Aton”. A mudança não se deu necessariamente por questões religiosas, já que Aton era cultuado anteriormente. A troca se dá por questões políticas, com o faraó usando da nova lei para prender, punir e desarticular os sacerdotes que a ele não se submetessem.

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Cidades de Silêncio, por Fernando Horta

Categoria: 

Análise

Cidades de Silêncio

por Fernando Horta

Há um certo sentido de movimento em Gramsci que não se encontra em Trotsky, Lênin ou mesmo em Marx. A distinção que Gramsci faz entre o “partido” ou “grupo” da ação e o grupo dos “moderados” leva necessariamente à noção de que só se conserva o poder de forma dinâmica. As categorias de Gramsci não estão necessariamente colocadas de forma ideológica. O “partido da ação”, aquele que impele a sociedade para a mudança, não obrigatoriamente é o que chamamos de “esquerda” e, da mesma forma, os “moderados”, o grupo que defende a manutenção das coisas “como estão” ou advoga um passo menos célere às mudanças, não é sempre de direita. A explicação gramsciana para o fascismo bebe desta ideia. Na impossibilidade de quem lidera efetivamente impulsionar as mudanças, o fascismo se apresentou como capaz de fazê-las. Claro que as mudanças fascistas eram em sentido oposto aos valores hoje tidos como corretos, mas ainda assim, o fascismo carrega o sentido do movimento, essencial para qualquer ideia de governo.

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