segunda-feira , outubro 23 2017
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Rio tem o 1º semestre mais violento dos últimos 8 anos

Taxa de violência no Estado se eleva assustadoramente e os responsáveis pela segurança pública, conscientes das conseqüências desastrosas para a população do Rio seguem reivindicando as medidas de repressão como uma saída estrutural para o problema.

Segundo informações do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, esse semestre foi o mais violento no Estado desde 2009. O registro de mortes violentas subiu 15% em relação ao mesmo período do ano passado. As regiões onde o aumento foi mais expressivo foram a capital com 21% e a baixada com 23%.

A abertura de um combate em nível civil às drogas no Estado conforme política declarada pelo Secretário de Ordem Pública Paulo César Amêndola e que se baseia em ações repressivas como a instalação de câmeras nas ruas, armas de fogo para a guarda municipal e presença das forças armadas nas ruas tem aumentado o nível de repressão e de confrontos com a polícia e gera conseqüências pesadas para a população como as diversas mortes ocorridas por bala perdida ou executadas diretamente pela própria polícia em perseguição à juventude negra da periferia. Mas apesar de estar consciente de que a guerra às drogas travada pelo governo e que já deixou mais de 632 vítimas de “bala perdida” só esse ano, o secretário defende esse método como uma forma de resolver o mal pela raiz, desconsiderando absolutamente todas as contradições sociais que levam ao aumento da violência e uma adesão cada vez maior dos jovens à criminalidade, como o elevado nível de desemprego, condições precárias de vida e saúde nas favelas e inclusive o fato de apenas cerca de 18% da população da cidade do Rio de Janeiro sobreviver com de 2 a 5 salários mínimos, o restante vive com menos que isso em uma das cidades com o custo de vida mais elevado do país e chegando ao absurdo de que 10% da população viva com menos de meio salário mínimo por mês (IBGE, 2010).

Dados sobre homicídio após oposição à intervenção policial

As mortes por “oposição à intervenção policial” como são chamados por eles os assassinatos descarados e arbitrários cometidos pela PMRJ foram, entre as mortes violentas, os que tiveram seus índices mais elevados em comparação ao mesmo período do ano passado, sofrendo uma alta de 45%.

Essa elevação brutal nas taxas de confronto com a polícia e mortes decorrentes delas deixa explícito o resultado da política de segurança baseada na repressão e na intervenção direta em favelas e “voltadas para o varejo” como declarou o ex-comandante interino da PMRJ ao jornal Folha de São Paulo ao se referir ao foco atual das políticas de segurança no estado do RJ, o que indica claramente uma intenção de promover um genocídio da juventude, principalmente a negra nas periferias do Rio de Janeiro. A repressão avança ao mesmo tempo em que a educação e cultura retrocedem com escolas fechando em dias letivos por causa de tiroteios, o veto de Crivella a projetos culturais e o estado de calamidade cada vez mais avançado da principal universidade do Rio e uma das principais do país, a UERJ, contribuindo para que a população do Rio cada vez mais sem perspectiva contribua para engrossar os dados sobre a violência no país, atingindo taxas até quatro vezes mais elevadas que as de São Paulo.

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