A Mosaic Fertilizantes anunciou a implementação de medidas temporárias para reduzir a produção de fosfato em diversas de suas operações no Brasil. A decisão, tomada em 8 de julho, é uma resposta direta às restrições no fornecimento global de enxofre, matéria-prima indispensável para a fabricação de fertilizantes fosfatados.
O cenário atual é reflexo de uma forte instabilidade geopolítica, que resultou em restrições em rotas marítimas internacionais e um aumento expressivo na demanda global. Esses fatores geraram uma pressão considerável sobre os custos do insumo, dificultando a manutenção do ritmo normal de produção.
Para se ter uma ideia da dependência técnica, a produção de fertilizantes como o DAP (fosfato diamônico) ou o MAP (fosfato monoamônico) exige aproximadamente quatro toneladas de enxofre para cada dez toneladas de produto final. Com a queda na oferta e a alta nos preços, a companhia precisou revisar seu plano operacional para o segundo semestre.
O impacto operacional no Brasil é distribuído por várias regiões. As unidades de mistura localizadas em Candeias (BA) e Catalão (GO) terão suas atividades temporariamente paralisadas. A empresa informou que possíveis reflexos na força de trabalho nessas localidades dependem da conclusão de negociações com os sindicatos da categoria.
No coração do agronegócio, as unidades de Palmeirante (TO) e Sorriso (MT) terão a produção reduzida, o que também pode gerar reflexos no quadro de funcionários. Já as paralisações temporárias em Tapira (MG) e Catalão (GO) serão estendidas, e o complexo de Uberaba (MG) passará por um processo de hibernação gradual a partir de setembro.
Apesar das reduções, algumas operações seguem ativas. O Porto da Fospar, em Paranaguá (PR), mantém a operação normal, embora a produção de fertilizantes na região deva cessar no fim de setembro, data prevista para o esgotamento dos estoques de ácido sulfúrico. Já a unidade de Cajati (SP) continuará operando, contando com importações de enxofre para sustentar a linha de nutrição animal.
A Mosaic ressaltou que essas medidas são respostas temporárias a condições extraordinárias de mercado e não alteram a estratégia de longo prazo da empresa. A companhia espera retomar a plena capacidade operacional assim que as cadeias globais de suprimentos sejam normalizadas e as rotas marítimas reabertas.
Atualmente, a empresa busca alternativas para o suprimento de matérias-primas e mantém diálogo com autoridades governamentais e parceiros comerciais para mitigar os impactos sobre agricultores, fornecedores e comunidades locais.
Com informações do G1