O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (7) que poderá impedir a Bombardier, fabricante de aeronaves sediada no Canadá, de comercializar seus produtos no mercado americano caso a companhia não instale sua produção no país.
A declaração representa mais um capítulo da disputa comercial entre Washington e Ottawa, reforçando a estratégia de Trump de utilizar pressões governamentais para incentivar a industrialização dentro dos Estados Unidos.
“Não haverá mais vendas da Bombardier nos Estados Unidos! Os produtos deles não são bons o suficiente!”, escreveu Trump em uma publicação na rede Truth Social. De acordo com o presidente, a produção local é condição necessária para que a empresa continue acessando o mercado americano.
Até o momento, a Casa Branca não detalhou quais mecanismos legais ou medidas administrativas seriam adotados para concretizar a ameaça. A Bombardier, por sua vez, ainda não se manifestou oficialmente sobre a declaração.
As exigências do governo americano
A pressão sobre a fabricante canadense integra uma política econômica mais ampla do governo dos Estados Unidos, que utiliza a imposição de tarifas e a criação de barreiras comerciais para forçar empresas estrangeiras a transferirem suas linhas de produção para solo americano.
Para a Bombardier, a medida pode gerar um impacto financeiro significativo, visto que aproximadamente metade dos 5.100 aviões operados por seus clientes está localizada nos Estados Unidos.
Embora a companhia já possua operações no país, como uma fábrica no Kansas voltada para a preparação de aeronaves de defesa, a unidade não é responsável pela fabricação dos principais jatos executivos da marca.
Histórico de tensões comerciais
Esta não é a primeira vez que Trump ataca a fabricante canadense. Em janeiro, o presidente chegou a ameaçar a aplicação de uma tarifa de 50% sobre aviões produzidos no Canadá, além de sugerir a revogação da certificação dos jatos da linha Global Express.
Naquela ocasião, Trump vinculou a suspensão das medidas à certificação, por parte do Canadá, de aeronaves da Gulfstream, concorrente direta da Bombardier. As tarifas não chegaram a ser implementadas após o governo canadense certificar alguns modelos da empresa americana.
O cenário reflete o aumento das tensões comerciais entre as duas nações, com o uso de tarifas como ferramenta de negociação política e econômica.
Impactos para a Bombardier
Como uma das líderes globais na fabricação de jatos executivos, a Bombardier possui forte dependência do mercado americano. A perda de acesso a esse território representaria um risco estratégico e financeiro grave para a organização.
Atualmente, a empresa opera com uma cadeia de produção integrada entre Canadá e Estados Unidos, contando com centros de serviços e outras operações em solo americano.
Recentemente, em 1º de setembro, a Bombardier anunciou a aquisição de uma fábrica de asas para os modelos Global 5500 e Global 6500, anteriormente pertencente à fornecedora Mitsubishi Heavy Industries.
Em termos financeiros, a companhia reportou em julho um crescimento de 6% em sua receita trimestral em comparação ao ano anterior, atingindo US$ 2,15 bilhões, resultado impulsionado principalmente pelos serviços de pós-venda e manutenção.
Com informações do G1