O presidente da França, Emmanuel Macron, e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, lideraram nesta segunda-feira (7) a Cúpula Lumière, realizada em Saint-Paul-de-Vence, território francês. O encontro congregou representantes governamentais, executivos das maiores companhias de cinema, televisão e games, além de criadores, festivais e instituições culturais de mais de 55 nações.
O objetivo central do evento foi analisar como a indústria do audiovisual deve lidar com a ascensão da inteligência artificial, a disputa por audiência com as redes sociais e a escassez de aportes financeiros para o desenvolvimento de novas produções.
Entre os participantes, estiveram presentes executivos de grandes estúdios de Hollywood, como Disney, NBCUniversal e Netflix, além de representantes da agência de talentos CAA e lideranças do setor tecnológico. O ator George Clooney também marcou presença na cúpula.
A Globo foi representada por seu CEO, Paulo Marinho, que participou do painel “Emissoras e streamings: velhos rivais, novas estratégias”. A mesa de debate contou ainda com a presença de Isabelle Degeorges, da Gaumont Télévision (França), e Andrew Bennett, do Prime Video (Estados Unidos).
A discussão baseou-se na premissa de que, embora emissoras de TV aberta e plataformas de streaming tenham competido pela mesma audiência na última década, atualmente elas caminham para um cenário de mútua dependência.
Diante da redução da audiência da TV linear em diversos mercados, os dois modelos de negócio têm se aproximado no que diz respeito ao financiamento, desenvolvimento e distribuição de séries, integrando a criatividade local ao alcance global. Um exemplo dessa tendência é a Globo, que opera sua própria plataforma, o Globoplay.
O nome do evento presta homenagem aos irmãos Auguste e Louis Lumière, pioneiros do cinema. A data coincidiu com a celebração de 130 anos da primeira exibição pública do Cinematógrafo e 200 anos do registro da primeira fotografia.
A cúpula promoveu, em nível inédito, a união entre Estados, corporações do setor, criadores e entidades culturais para debater como o valor da imagem em movimento pode ser gerado, compartilhado e mantido nos próximos dez anos.
O debate considerou as disparidades entre mercados já consolidados e aqueles em rápida expansão, onde surgem ecossistemas criativos dinâmicos, impulsionados principalmente pela popularidade global de séries e novos formatos narrativos.
O encerramento do encontro foi marcado pela assinatura da “Declaração de Lumière”, um documento com 15 princípios. Um dos pontos fundamentais é a defesa de que a criação humana deve continuar sendo a base das obras audiovisuais, independentemente do avanço da inteligência artificial. O texto estabelece que a tecnologia deve servir como ferramenta de impulso à criação, e não como substituta do autor.
A declaração também alertou sobre os riscos de agentes autônomos de IA na forma como o público descobre conteúdos e defendeu a conservação de acervos físicos, que sofrem degradação irreversível. Além disso, propôs, junto à Unesco, que a educação para a imagem seja tratada como uma alfabetização essencial do século 21, iniciando nos primeiros anos escolares.
Outras pautas incluíram o combate à pirataria, a promoção da diversidade de formatos, o incentivo a coproduções internacionais e a valorização do cinema como experiência coletiva. Os signatários comprometeram-se a monitorar e revisar conjuntamente os progressos nessas questões.
Com informações do G1