Em uma decisão que pegou o mercado editorial francês de surpresa, a Academia Goncourt, que entrega o prêmio literário mais importante da França, removeu o autor canadense-haitiano Thélyson Orélien da lista de concorrentes.
A medida aconteceu após surgirem acusações contra o livro “C’était ça ou mourir” (“Era isso ou morrer”). O autor é suspeito de ter usado inteligência artificial para criar a obra e de ter plagiado trechos de outros textos.
Aos 38 anos, Orélien era um dos favoritos para vencer. No entanto, tudo mudou após uma denúncia feita por um perfil anônimo no X (antigo Twitter), que afirmou que o texto foi produzido “quase na totalidade” com ajuda de IA.
Para justificar a exclusão, a Academia informou que se baseou no “resultado convergente de diversas análises feitas por pesquisadores e jornalistas de confiança”. Além disso, surgiram denúncias de plágio de textos publicados no Canadá há mais de dez anos.
Em nota, a organização afirmou que a decisão serve para “preservar a integridade do prêmio Goncourt e da própria Academia, cuja missão fundamental consiste em valorizar e premiar a literatura escrita por seres humanos”.
O impacto foi imediato: a editora canadense Boréal suspendeu a divulgação do livro. Já o escritor, que está na França, disse que só vai se manifestar quando a poeira baixar, alegando que há um movimento para “atacar o livro e calar sua voz”.
A imprensa francesa revelou que o ensaísta Samuel Fitoussi era a pessoa por trás da conta anônima. Ele explicou que liderou um projeto coletivo por medo de que a inteligência artificial acabe com a leitura e a escrita humanas.
Com informações de O Fuxico.