Previsão de secas na Amazônia: como análise de água ajuda a prever clima

Um estudo científico revela que a análise de isótopos de água pode ser fundamental para a previsão de secas na Amazônia. Ao examinar a chamada “impressão digital” da água, pesquisadores conseguem rastrear o caminho da molécula antes da coleta, o que fornece dados essenciais sobre a precipitação e a evaporação na região

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O funcionamento baseia-se na diferença entre isótopos leves, que evaporam mais facilmente, e pesados, que tendem a se condensar e formar chuvas. Em cenários de calor intenso e baixa umidade, a floresta amazônica favorece a formação de vapor, resultando em amostras de chuva com mais isótopos pesados, o que sinaliza a proximidade de um período de seca.

A pesquisa, conduzida por especialistas da Unesp em parceria com o Inpa e o Serviço Geológico do Brasil, analisou dados em Manaus entre 2023 e 2025. O trabalho identificou que, no período chuvoso, predominam os isótopos leves, enquanto na estação seca a influência de sistemas de alta pressão traz vapor mais seco ao continente

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Ao comparar dados atuais com registros históricos de 1965 a 1990, a equipe notou que as chuvas recentes estão mais enriquecidas com isótopos pesados. Esse fenômeno, somado a temperaturas 1ºC acima da média e queda de 30% nas chuvas, foi associado ao El Niño e ao aquecimento do Atlântico Norte.

“Os isótopos revelaram, em especial em 2024, um alerta precoce da chegada dessa estação seca”, afirmou a pesquisadora Rafaela Rodrigues Gomes. A ferramenta é vista como um recurso acessível para monitoramento climatológico e gestão de recursos hídricos.

Para o orientador Didier Gastmans, a análise ajuda a entender como as mudanças climáticas tornam o ciclo hidrológico mais variável. Além da chuva, a técnica pode ser aplicada para conectar reservatórios superficiais a águas subterrâneas, auxiliando a gestão ambiental do país.

Com informações do Portal Amazônia.

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