A seca já atinge 303 Terras Indígenas (TIs) da Amazônia, sendo que 23 delas estão em nível grave, conforme aponta um levantamento da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Em agosto de 2026, cerca de 74,4% das 407 áreas monitoradas apresentavam algum grau de seca, abrangendo aproximadamente 96,98 milhões de hectares.

A situação é crítica em Roraima, onde a liderança Sineia Wapichana afirma que “O verão chegou mais cedo; o Estado está em emergência”. No estado, 21 das 23 TIs em seca grave foram identificadas. Em Rondônia, o monitoramento registrou 13 territórios indígenas sob seca moderada, enquanto no Amazonas 91 estavam em nível moderado e 68 em seca fraca.
Os impactos diretos para as comunidades incluem a redução do nível de rios e igarapés, o que prejudica a navegação, o abastecimento de água e o acesso a serviços básicos. Além disso, há o risco aumentado de incêndios florestais e a perda de plantações e recursos pesqueiros, elevando a insegurança alimentar nas aldeias.

Para enfrentar o cenário, a Coiab lançou o Plano de Adaptação dos Territórios Indígenas da Amazônia frente ao El Niño e Eventos Climáticos Extremos. O documento oferece orientações práticas para a proteção de recursos hídricos, saúde comunitária e prevenção de fogo, visando fortalecer a autonomia dos povos indígenas.
Apesar das iniciativas locais, a organização ressalta que a responsabilidade final é do poder público. É necessário que o governo garanta planos de contingência, transporte, medicamentos e alimentos. Como enfatiza Toya Manchineri, “Os povos indígenas não são apenas atingidos pela crise climática. São parte central da resposta e precisam participar das decisões”.
Com informações do Portal Amazônia.