Da Amazônia ao Japão, a batata-doce percorreu diferentes culturas e teve papel fundamental na alimentação de diversos povos, inclusive em épocas de crises climáticas e conflitos. Essa trajetória é detalhada no livro ‘Batata-doce: raízes que salvam vidas. Histórias da Amazônia à Hokkaido’, lançado nesta sexta-feira (2) pela Editora Inpa.
Escrita em quatro idiomas — Português, Baniwa, Japonês e Inglês —, a obra une ciência, memórias afetivas e conhecimentos tradicionais. O livro nasce das experiências das autoras Kyoko Asano e Carina Silva Valencia-Baniwa, relacionando o consumo do alimento entre o Povo Baniwa, do alto Rio Negro (AM), e habitantes da ilha de Hokkaido, no Japão

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Para Carina, a criação do livro representou um resgate cultural e pessoal. “Indescritível reencontrar uma parte de mim que estava guardada no tempo. No final fiquei muito feliz por ver a minha história registrada em um livro e poder compartilhá-la com o mundo”, afirmou. Já Kyoko Asano relatou que a experiência trouxe novas perspectivas sobre a região: “Sinto como se tivesse encontrado uma segunda terra natal. É uma sensação muito especial”.
A publicação reconstrói a origem do tubérculo nas Américas Central e do Sul e sua expansão global até o Japão, mencionando inclusive pesquisas para cultivos espaciais. O projeto foi viabilizado pelo programa “Diálogos científicos multiculturais sobre a sociobiodiversidade na Amazônia com potencial bioeconômico”, com financiamento do CNPq via chamada PPBio 2023.
A obra faz parte da série Amazônia Chibata, que visa destacar a região como um território biocultural único, unindo visões ancestrais e científicas. Segundo a pesquisadora Noemia Ishikawa, o objetivo é popularizar o conhecimento da sociobiodiversidade amazônica dentro e fora da região, motivo pelo qual a obra foi publicada em quatro línguas.
O livro conta com contribuições de Regina Casé, do cineasta Estêvão Ciavatta Pantoja e do arqueólogo Eduardo Góes Neves. O exemplar físico está disponível na Livraria Inpa (Campus I, prédio 97), enquanto a versão digital pode ser baixada gratuitamente através do repositório oficial do Inpa.
Com informações do Portal Amazônia.