Conflito no Oriente Médio: Irã indica reabertura do Estreito de Ormuz, rota crucial para 20% do petróleo mundial
O Irã confirmou nesta terça-feira (7) um acordo com os Estados Unidos e indicou que permitirá a reabertura do Estreito de Ormuz por um período inicial de duas semanas. A notícia alivia a tensão em um cenário global já sensível devido ao conflito no Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz é uma via estratégica, considerada uma “artéria” da indústria petrolífera, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo. Seu fechamento durante os 39 dias de conflito, antes da suspensão dos ataques, teve um forte impacto na economia global, gerando preocupações com o abastecimento e o aumento dos preços.
Localizado entre o Golfo Pérsico (ao norte) e o Golfo de Omã (ao sul), o estreito “deságua” no Mar da Arábia. Em seu ponto mais estreito, possui apenas 33 km de largura, com canais de navegação de apenas 3 km em cada direção, tornando-o um ponto vulnerável a interrupções.
De acordo com dados da plataforma de monitoramento marítimo Vortexa, entre o início de 2022 e maio de 2025, aproximadamente 17,8 a 20,8 milhões de barris por dia de petróleo bruto, condensado ou combustível fluíram diariamente pelo local. Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque exportam a maior parte do seu petróleo através do estreito, principalmente para a Ásia.
O fechamento do Estreito de Ormuz causou sérios problemas no abastecimento de petróleo no mundo. Emirados Árabes e Arábia Saudita buscam rotas alternativas para reduzir sua dependência do estreito. O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, envia quase toda sua produção através do estreito.
A Administração de Informação de Energia dos EUA estima que havia cerca de 2,6 milhões de barris por dia de capacidade ociosa nos oleodutos existentes desses países, que poderiam ser usados para contornar o Estreito de Ormuz (dados de junho de 2024). A reabertura, mesmo que temporária, representa um alívio para o mercado, mas a instabilidade na região continua sendo um fator de risco.
Com informações do G1