Tensões no Oriente Médio reacendem preocupações com o fornecimento global de petróleo e impulsionam alta nos preços
O preço do petróleo registrou forte alta nesta quinta-feira (9), impulsionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pelas dúvidas em relação à continuidade do cessar-fogo entre EUA e Irã. A fragilidade do acordo de trégua reacendeu o temor de interrupções no fornecimento global da commodity.
O barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 5% e atingiu US$ 99,13 durante a abertura dos mercados, fechando a sessão a US$ 99,46, um aumento de 5,35%. Já o Brent, padrão internacional, subiu 3,82%, para US$ 98,57. A alta ocorre após uma breve queda no dia anterior, quando o anúncio inicial da trégua gerou um alívio momentâneo no mercado.
O acordo previa uma pausa de duas semanas nos ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo. No entanto, a passagem ficou liberada por poucas horas, sendo novamente restringida. Além disso, novos ataques foram registrados, intensificando o clima de incerteza. Israel intensificou bombardeios no Líbano contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã, enquanto países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait, relataram ataques com mísseis e drones.
Investidores temem que a instabilidade na região possa afetar a oferta de petróleo, o que historicamente leva a um aumento nos preços. A cautela também se estendeu aos mercados asiáticos, com quedas nas bolsas da China e Hong Kong. O índice de Xangai recuou 0,72%, o CSI300 caiu 0,64%, e o Hang Seng, de Hong Kong, teve baixa de 0,54%. Outras bolsas da região apresentaram desempenho misto, com o Nikkei, no Japão, caindo 0,73%, e o Kospi, na Coreia do Sul, recuando 1,61%, enquanto a bolsa da Austrália subiu 0,24%.
Analistas do MUFG afirmam que o cessar-fogo já demonstra sinais de fragilidade, mesmo em seu curto período de vigência. Além da geopolítica, o mercado também aguarda a divulgação de novos dados da economia chinesa, que podem indicar a demanda global por petróleo. A agência Reuters e France Presse contribuíram com informações para esta reportagem.
Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz – Reuters
Com informações do G1