Após segunda falência, Spirit Airlines cancela todos os voos nos EUA e encerra suas operações, impactando milhares de passageiros
A companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines anunciou o cancelamento imediato de todos os voos e o encerramento de suas atividades neste sábado (2). Em comunicado, a empresa informou que “todos os voos da Spirit foram cancelados e os passageiros da Spirit não devem se dirigir ao aeroporto”.
Apesar de esforços de última hora, uma reunião do conselho da empresa não resultou em um acordo para evitar a falência, conforme relatado pela agência Reuters. O colapso da Spirit, que respondia por 5% dos voos nos EUA, deve gerar milhares de demissões e é atribuído, em parte, à duplicação dos preços do combustível de aviação nos últimos dois meses, em meio a tensões geopolíticas.
O presidente Donald Trump havia proposto um aporte de US$ 500 milhões para salvar a empresa, mas a iniciativa enfrentou oposição de aliados e de republicanos no Congresso. O secretário de Transportes, Sean Duffy, admitiu a dificuldade de encontrar compradores: “O que alguém compraria?”, questionou. “Se ninguém quer comprá-la, por que nós compraríamos?”
A Spirit iniciará um processo ordenado de encerramento, suspendendo voos noturnos, reposicionando aeronaves e liberando tripulações. Um credor envolvido nas negociações afirmou: “O governo Trump fez um esforço extraordinário para tentar salvar a Spirit, mas não se pode dar vida a um cadáver. Diante disso, a empresa deve deixar claras suas intenções pelo bem de clientes e funcionários”.
Outras companhias aéreas, como United Airlines, American Airlines, Frontier Airlines e JetBlue Airways, estão se preparando para acomodar passageiros com bilhetes da Spirit. A presidente da Associação de Comissários de Bordo, Sara Nelson, alertou que o fechamento da Spirit pode eliminar quase 20 mil empregos. O governo chegou a propor um financiamento de US$ 500 milhões em troca de 90% de participação na empresa, mas o plano não obteve consenso entre os credores.
A Spirit havia tentado um acordo com credores para sair da recuperação judicial até 2026, mas o aumento dos preços do combustível frustrou os planos. Os custos com combustível subiram de US$ 2,24 por galão (estimativa para 2026) para US$ 4,51 até abril, mais que o dobro do previsto.
Com informações do G1