O governo federal divulgou dados alarmantes sobre o mercado de apostas online no Brasil. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, cerca de 25,2 milhões de brasileiros utilizam plataformas de apostas ilegais, evidenciando a magnitude da economia informal e irregular nesse setor.
De acordo com o ministro, as plataformas irregulares representam uma fatia significativa do mercado, situando-se entre 41% e 51% do volume das empresas que operam dentro da legalidade. Como medida de repressão, o governo já efetuou o bloqueio de mais de 40 mil sites.
“Estamos falando de que as bets ilegais representam algo entre 41% e 51% das plataformas que operam na legalidade, é um número relevante. Já bloqueamos mais de 40 mil sites. São 25,2 milhões de brasileiros apostando nessas plataformas”, declarou o ministro da Justiça.
A preocupação do governo vai além da arrecadação tributária. O ministro alertou que o crime organizado encontra fortes estímulos para migrar para o setor de bets ilegais, utilizando essas plataformas para lavagem de dinheiro e outras atividades criminosas. Por esse motivo, a atuação rigorosa contra as empresas irregulares tornou-se prioritária.
Complementando as informações, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhou a estrutura operacional desses esquemas. Ele revelou que apenas 350 pessoas, utilizando 37 instituições financeiras — majoritariamente fintechs ou instituições de pagamentos —, eram responsáveis por operar os mais de 40 mil aplicativos e sites derrubados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), sob solicitação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
No campo da repressão, o governo deflagrou, na última quinta-feira (18), a Operação Conto da Sorte. A ação mirou um esquema criminoso de movimentação bilionária por meio de apostas ilegais, com o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo.
A investigação teve início após a Secretaria de Prêmios e Apostas identificar irregularidades na autarquia Lotseridó, criada pela prefeitura de Bodó, no Rio Grande do Norte. A entidade teria credenciado empresas de apostas de quota fixa de forma irregular, que continuaram operando à revelia da fiscalização federal.
O governo anunciou ainda que os recursos bloqueados de bets ilegais serão destinados ao fundo de segurança pública, seguindo rigorosamente o processo legal. Embora o valor exato movimentado pelos esquemas ainda dependa da análise de quebras de sigilo, as estimativas iniciais apontam para cifras na casa dos bilhões de reais.
Com informações do G1