Ataques dos EUA e Israel forçam suspensão de siderúrgicas no Irã

Ataques de EUA e Israel paralisam produção de aço no Irã, setor estratégico para indústria e defesa. Retaliação iraniana é esperada

As duas maiores usinas siderúrgicas do Irã interromperam suas operações após serem alvo de ataques dos Estados Unidos e de Israel. A Companhia Siderúrgica de Khuzestan, no sudoeste do país, e a Companhia Siderúrgica Mobarakeh, na província de Isfahan (centro), relataram danos significativos em seus equipamentos desde a semana passada.

A siderúrgica de Mobarakeh informou, em comunicado, que suas “linhas de produção estão completamente paralisadas devido à intensidade dos ataques” e que “é impossível continuar com as operações”. Já o vice-diretor de operações da usina de Khuzestan, Mehran Pakbin, estimou que a retomada da produção levará, no mínimo, seis meses: “Todos os módulos e fornos de produção de aço deste complexo industrial foram danificados. Segundo as nossas previsões iniciais, a retomada das operações das unidades ocorrerá entre seis meses e um ano, no mínimo”.

O aço é um material de importância estratégica, essencial para a produção industrial e militar, incluindo a fabricação de mísseis, drones e navios. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou planos para realizar ataques com mísseis e drones contra zonas industriais de Israel e dos EUA no Oriente Médio.

O Irã prometeu continuar a guerra contra os EUA e Israel “até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo”, com “ataques devastadores” contra ambos os países. O porta-voz das Forças Armadas do Irã, Ebrahim Zolfaqari, declarou: “Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição. (…) Aguardem nossos ataques mais devastadores, amplos e mais destrutivos”.

A declaração de Zolfaqari foi uma resposta às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu levar o Irã “para a Idade da Pedra” com ataques mais intensos nas próximas “duas a três semanas”, e ameaçou atacar a infraestrutura energética iraniana. Trump também afirmou que os objetivos no Irã estão quase concluídos.

Em resposta, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, enviou uma carta “ao povo norte-americano” na qual afirmou que seu país não “nutre inimizade com as pessoas comuns dos Estados Unidos” e não representa uma ameaça. Ele acusou o governo Trump de enganar seus próprios cidadãos, pedindo aos norte-americanos que questionem se Washington está priorizando os interesses dos EUA ou de Israel. Pezeshkian também afirmou que Trump está disposto a lutar “até o último soldado americano”.

A carta foi a primeira comunicação direta do governo iraniano direcionada à população dos EUA desde o início do conflito. Pezeshkian enfatizou que o Irã age em legítima defesa e não busca a guerra: “O que o Irã fez – e continua a fazer – é uma resposta ponderada, baseada na legítima defesa, e de forma alguma uma iniciação de guerra ou agressão”.

Com informações do G1

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