Bióloga defende educação ambiental para proteger a foz do Amazonas

A foz do Amazonas, região de encontro entre o rio e o oceano, apresenta desafios únicos para a pesquisa científica devido à complexidade logística e à escassez de dados. Em meio a esse cenário, a bióloga Janaína Freitas Calado, professora da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) e doutora em Ecologia, dedica-se à educação ambiental, buscando integrar ciência e saberes tradicionais para a conservação do ecossistema.

Calado, integrante das ações brasileiras da Década do Oceano – iniciativa da ONU para promover a sustentabilidade marinha até 2030 – trabalha com o conceito de cultura oceânica. Essa abordagem, que será incorporada ao currículo escolar brasileiro a partir de 2025, visa fortalecer a compreensão do papel crucial do oceano na regulação climática, na biodiversidade e na economia.

Foto: Suzane Biapino

Em entrevista, a bióloga comenta a percepção das comunidades locais diante do início das atividades de prospecção de petróleo pela Petrobras, a poucos quilômetros do Amapá. Ela ressalta a importância de considerar as diferentes visões sobre o tema: enquanto populações que dependem diretamente do meio ambiente expressam maior preocupação, moradores da cidade vislumbram oportunidades de desenvolvimento.

A pesquisadora destaca as dificuldades logísticas e operacionais de trabalhar na Amazônia, como o alto custo de transporte e a necessidade de adaptação às condições ambientais. Além disso, enfatiza a importância de reconhecer e valorizar o conhecimento das comunidades tradicionais, muitas vezes marginalizadas e invisíveis, que possuem uma profunda conexão com a natureza.

Calado defende uma abordagem participativa na pesquisa, onde o diálogo e a troca de saberes entre cientistas e comunidades locais são fundamentais. Ela acredita que a educação ambiental deve ser um processo de mediação, que conecte sociedade e natureza, e que a pesquisa deve estar a serviço do fortalecimento das comunidades tradicionais.

Foto: Janaina Calado/Acervo pessoal

A bióloga também aborda a importância de ampliar a percepção sobre o oceano na região amazônica, desconstruindo estereótipos e mostrando a relevância do mar para a vida das pessoas, mesmo em áreas distantes da costa. Através de projetos como o Observatório Popular do Mar e o Ecoa, ela busca promover a cultura oceânica amazônica e capacitar universitários de comunidades tradicionais para atuarem como agentes de transformação em suas regiões.

Com informações do Portal Amazônia.

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