Mudança nas regras de inspeção da soja brasileira freia exportações para a China e gera alerta no setor agrícola
A Cargill, uma das maiores exportadoras de soja do Brasil, suspendeu as operações de envio do grão para a China devido a alterações na inspeção fitossanitária implementada pelo governo brasileiro. A informação foi divulgada pelo presidente da empresa no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, à Reuters na noite de quarta-feira (11).
De acordo com Sousa, o Ministério da Agricultura adotou uma fiscalização mais rigorosa para a soja destinada ao mercado chinês, atendendo a uma solicitação do governo do país asiático. Essa nova fiscalização, porém, tem dificultado o cumprimento das normas por parte dos comerciantes e a obtenção da autorização para o embarque do produto. “Isso é um grande risco hoje para o fluxo de exportação brasileira de soja para a China”, afirmou o executivo.
A principal divergência reside na metodologia de amostragem. O ministério, em vez de utilizar a amostra padrão utilizada pelo mercado, está realizando sua própria coleta. “Isso está gerando discrepância… com essas discrepâncias, os certificados fitossanitários que acompanham a carga, que são emitidos pelo ministério, em alguns casos não estão sendo emitidos…”, explicou Sousa. Sem os certificados, os navios são impedidos de descarregar a carga na China, levando à necessidade de redirecionamento para outros destinos.
A situação é considerada crítica, com a possibilidade de paralisação completa dos embarques para a China caso não haja uma solução rápida. A Cargill interrompeu suas operações na última sexta-feira. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, está em contato com as associações do setor, Anec e Abiove, para buscar um acordo “sobre a maneira correta de fazer a amostra e a classificação da soja”. Corretores de grãos e agricultores relataram uma queda significativa nos lances de compra de soja no mercado interno.
A China é o principal destino da soja brasileira, responsável por cerca de 80% das exportações do país, que é o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa. A Anec expressou preocupação em nota sobre a capacidade dos exportadores de se adaptarem ao novo sistema de inspeção, especialmente no período de pico das exportações. “De forma geral, a principal preocupação do setor segue sendo a soja e como a cadeia conseguirá se adequar às novas exigências no médio prazo”, informou a associação.
O Ministério da Agricultura do Brasil não se manifestou sobre o caso até o momento. As negociações estão em andamento, mas ainda não houve um desfecho positivo, segundo a Cargill.
Com informações do G1