A cerâmica tapajônica, considerada um importante vestígio arqueológico da Amazônia, revela aspectos do cotidiano, as crenças e a organização social dos povos Tapajó, que habitaram Santarém, no Pará, antes da colonização europeia. Os vestígios apontam para uma grande concentração populacional com conhecimentos técnicos, artísticos e culturais avançados.
As peças encantam pela riqueza de detalhes, pelas decorações elaboradas e pelas representações antropomorfas e zoomorfas. Vasos de gargalo e cariátides são exemplos emblemáticos, ligados a rituais funerários e práticas de endocanibalismo, como explica o arqueólogo Jefferson Paiva: “A cerâmica funciona como registro histórico. Por meio dela compreendemos hábitos, crenças e a organização das sociedades que viveram aqui antes de nós.”
As estatuetas retratam cenas da vida cotidiana, como mães com crianças e pajés em momentos de reflexão. No entanto, a história da cerâmica tapajó também é marcada pela destruição. Durante a presença jesuítica, entre 1661 e 1665, muitas peças foram destruídas e sua produção proibida, consideradas “coisas do diabo”.
Para Jefferson Paiva, valorizar a memória e a ancestralidade é essencial para reconectar a população com as raízes culturais da região. “É importante resgatar essas histórias, porque muitas delas não aparecem nos livros ou nas escolas. Houve um período de intensa destruição cultural.”

Com informações do Portal Amazônia.