Manaus enfrenta um paradoxo: crescimento econômico impulsionado pela Zona Franca contrastando com a crescente favelização e desigualdade social. O Plano Diretor Urbano e Ambiental, criado em 2014, não tem conseguido conter esse processo, que é reflexo de um descompasso geopolítico entre a capital e o interior do Amazonas.
Dados do IBGE revelam que a renda per capita em Manaus é três vezes maior que no interior do estado, o que leva a um êxodo rural constante em busca de melhores condições de vida. Esse fluxo migratório, somado à industrialização, resulta em segregação socioespacial, trânsito intenso e sobrecarga dos serviços públicos

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A situação é grave: seis das 20 maiores favelas do Brasil estão localizadas em Manaus, como a Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, Comunidade São Lucas e Zumbi dos Palmares. O crescimento desordenado da cidade, agravado pela chegada de migrantes de outros estados e países, contribui para a expansão dessas áreas e o surgimento de novas comunidades em situação de vulnerabilidade.
Além da questão econômica, a migração de povos indígenas para Manaus também é um fator relevante na formação de favelas, como a comunidade no Tarumã-Açu, formada por indígenas baré e kokama. A falta de oportunidades no interior e a busca por trabalho na capital impulsionam esse movimento, que agrava os problemas sociais e urbanos da cidade

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A ausência de políticas públicas eficazes e a atuação de grupos criminosos, como milícias que praticam grilagem de terras, contribuem para a perpetuação desse cenário. A reportagem levanta a questão: como resolver esses problemas complexos e garantir uma vida digna para todos os habitantes de Manaus?
O período eleitoral é uma oportunidade para que candidatos apresentem propostas e lutem por medidas que visem a intervenção do Estado e a promoção de políticas públicas para combater a desigualdade social e urbanística

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Com informações do Portal Amazônia.