Guerra no Oriente Médio causa queda no turismo de luxo em Dubai. Vendas de marcas como Chanel e Louis Vuitton são impactadas
Shopping pouco movimentado em Dubai
Reprodução/TV Globo
Dubai, conhecida como um paraíso de compras de luxo, sente os impactos da guerra no Oriente Médio. Lojas de grifes renomadas como Louis Vuitton, Dior e Louboutin, localizadas no ‘Mall of the Emirates’, registram uma queda significativa no fluxo de turistas, afetando suas vendas.
A atmosfera nos corredores das lojas de luxo está distante da agitação habitual. Vendedores relatam passar horas com poucos clientes. Uma cliente da Chanel, que preferiu não se identificar, expressou sua preocupação: “Não se deve vir para Dubai neste momento. É perigoso, estamos em guerra. Para mim é diferente, eu sou daqui; se eu morrer, morro com minha família”.
Apesar da diminuição do movimento, os vendedores, seguindo ordens, evitam comentar abertamente sobre a situação. Um deles, no entanto, observou: “Claro que há menos clientes, mas isso se nota sobretudo nos turistas; os locais continuam vindo. E, por sorte, temos muita clientela local, aqui ninguém está em pânico”.
A imagem de Dubai como um refúgio seguro para ricos expatriados e um destino de compras de luxo foi abalada após ataques de mísseis e drones iranianos a locais emblemáticos da cidade. Analistas da consultoria Bernstein estimam que as vendas de artigos de luxo na região podem cair pela metade em março, devido ao colapso do turismo, tanto de visitantes quanto de passageiros em trânsito, com restrições em aeroportos importantes como os de Dubai, Doha e Abu Dhabi.
Apesar do cenário desafiador, a indústria do luxo tenta manter uma postura otimista. Um agente do setor, sob anonimato, afirmou: “O sentimento predominante, passado o ‘espanto’ dos últimos dias, é de que a situação é temporária, de que tudo será resolvido rapidamente”. Cerca de 6% a 8% do faturamento mundial das grandes marcas de luxo vem do Oriente Médio.
Para evitar “gerar preocupações inúteis” ou prejudicar a “reputação” dos Emirados, a incorporadora imobiliária Emaar proibiu o fechamento ou a redução dos horários de funcionamento das lojas. Analistas observam que a visitação “despencou” e algumas marcas realocaram vendedores para tarefas de prospecção online, uma estratégia que se mostrou eficaz, similar ao que foi feito durante a pandemia de Covid. A visitação anual de turistas em Dubai chegou a 20 milhões no ano passado, atraídos por atrações como o Burj Khalifa.
Com informações do G1