Um novo livro didático, produzido pela Fiocruz Amazônia, reúne informações cruciais sobre a vigilância e o monitoramento da exposição ao mercúrio em populações indígenas. A obra foi utilizada em um curso de capacitação para trabalhadores da saúde nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) de Porto Velho e Vilhena, em Rondônia, atendendo também comunidades no Amazonas e Mato Grosso.
O livro, intitulado “Mercúrio na Amazônia – Aspectos Introdutórios sobre Vigilância e Monitoramento em Populações Indígenas Expostas e Potencialmente Expostas”, aborda desde a toxicologia do mercúrio até os desafios da vigilância em terras indígenas. A publicação é resultado de uma parceria entre o Ministério Público do Trabalho, a Fiocruz e outras instituições.
De acordo com o pesquisador Jesem Orellana, autor do livro, a poluição por mercúrio, proveniente principalmente do garimpo ilegal de ouro, representa uma séria ameaça à saúde humana, afetando sistemas nervoso, renal e outros. Exposições acima do tolerável podem causar danos graves, especialmente em crianças, com atrasos cognitivos e problemas de desenvolvimento.
O curso de capacitação, realizado em Cacoal (RO) e Humaitá (AM), visou instrumentalizar os profissionais de saúde da APS para lidar com a contaminação mercurial, oferecendo estratégias de vigilância, monitoramento e mitigação dos riscos. A iniciativa demonstra a preocupação com o cenário alarmante da contaminação e a necessidade de atenção qualificada à saúde das populações indígenas.

“O uso indiscriminado do mercúrio existe, há pelo menos 40 anos, em garimpos ilegais, acarreta não apenas a destruição e contaminação dos nossos solos e águas, como também gera uma variedade de efeitos negativos à saúde humana, deixando populações historicamente vulneráveis como os indígenas da Amazônia Legal, em risco ou ameaça ainda maior”, enfatizou Orellana.
Com informações do Portal Amazônia.