Pesquisadores brasileiros identificaram duas bactérias endofíticas com potencial para transformar o cultivo da pimenta-do-reino, especiaria de grande importância econômica no Brasil. As linhagens Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 estimulam o crescimento da planta e o enraizamento de estacas.
Em experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), as bactérias promoveram um aumento de até 75% na altura das plantas e de 333% no crescimento da massa das raízes. Os efeitos positivos são atribuídos à capacidade dos microrganismos de produzir ácido indolacético (AIA) e sideróforos, que facilitam a absorção de nutrientes.
“Um pimental produtivo se inicia com uma muda sadia. E uma das dificuldades dos produtores é ter estacas que tenham um enraizamento efetivo para a produção das mudas. Essa descoberta revela o potencial de obtermos um bioinsumo que traga mais segurança aos pequenos produtores para a implantação ou ampliação de pimentais com mudas sadias e, consequentemente, plantas mais vigorosas e produtivas”, afirma Alessandra Nakasone, pesquisadora da Embrapa Florestas.
O uso de microrganismos benéficos pode reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos, aumentando a sustentabilidade da cadeia produtiva. A recente Lei Federal nº 15.070/2024 também facilita a utilização desses bioinsumos, pois não os classifica como pesticidas, desde que comprovada a segurança.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino, com uma produção de quase 125 mil toneladas em 2024. Os estados do Espírito Santo e do Pará detêm a maior parte da safra nacional.
Com informações do Portal Amazônia.