Governo americano critica o Pix, sistema brasileiro que ameaça a hegemonia de Visa e Mastercard. Saiba os detalhes!
Um relatório da Casa Branca divulgou nesta quarta-feira (1º) novas críticas ao Pix, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, apontando-o como prejudicial às gigantes do setor de cartão de crédito, como Visa e Mastercard. A preocupação central é que o Banco Central do Brasil possa dar tratamento preferencial ao Pix, prejudicando empresas americanas de serviços de pagamento eletrônico.
O documento ressalta que “o Banco Central criou e regula o Pix; stakeholders dos EUA temem que o BC [Banco Central] dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos”. Além disso, o uso do Pix é obrigatório para instituições financeiras com mais de 500.000 contas.
Esta não é a primeira vez que o governo americano manifesta preocupação com o avanço do Pix. Em julho de 2025, o sistema já havia entrado na mira dos Estados Unidos. Na época, o governo Trump não mencionou o Pix diretamente, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico” oferecidos pelo Estado brasileiro, alegando que “o Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”.
O relatório de 2026 também aborda outras questões que geram preocupação nos EUA, como a mineração ilegal de ouro, a extração ilegal de madeira, as leis trabalhistas brasileiras, o PL dos Mercados Digitais, a regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), taxas de uso de rede e a exploração de satélites. Em relação à mineração, o relatório aponta que o ouro ilícito representa 28% da atividade total no país, prejudicando empresas americanas que seguem padrões ambientais e trabalhistas.
O “PL dos Mercados Digitais” é visto como um risco à concorrência, com o potencial de afetar desproporcionalmente empresas americanas e impor multas elevadas. A demora na implementação da regulamentação da LGPD também é motivo de preocupação, exigindo que empresas dos EUA atualizem contratos e nomeiem um Encarregado de Dados (DPO) desde agosto de 2025. O relatório também critica as taxas de exploração de satélites, consideradas mais altas para operadores estrangeiros em comparação com empresas brasileiras.
Em relação às taxas de rede, o relatório menciona que o governo brasileiro desistiu da abordagem de cobrança em novembro de 2024. A Casa Branca continua monitorando de perto o ambiente regulatório brasileiro, buscando garantir condições de concorrência justas para as empresas americanas.
Com informações do G1