O rio Amazonas, sendo o maior do mundo, é responsável por cerca de um quinto de toda a água doce que chega ao oceano. Esse fluxo cria a chamada pluma do rio Amazonas, que se estende por centenas de quilômetros da foz. Uma pesquisa publicada na revista Global Biogeochemical Cycles, conduzida por especialistas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), indica que essa pluma reduz a salinidade média do Atlântico Tropical Oeste em aproximadamente 9%, o que facilita a absorção de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera pelo mar.
A influência desse fenômeno é mais intensa durante a época de chuvas na Amazônia, momento em que o volume de água doce despejado no oceano aumenta. Como resultado, a salinidade pode cair até 11% e a química do carbono na região sofre reduções entre 8% e 10%.

Por ser rica em nutrientes, a pluma estimula o crescimento do fitoplâncton, microrganismos essenciais para a cadeia alimentar marinha que capturam o CO₂ via fotossíntese, processo que diminui na estação seca.
Para chegar a esses resultados, a equipe analisou dados de 1991 a 2019, provenientes de cruzeiros científicos e navios mercantes. Os pesquisadores avaliaram temperatura, salinidade e níveis de CO₂ para medir o impacto da pluma em variáveis como pH e alcalinidade. O estudo, derivado do mestrado de Matheus Batista, contou com apoio da UFBA e da Universidade de Sorbonne, na França.
O trabalho é considerado pioneiro por utilizar dados observacionais em vez de apenas modelos computacionais. Segundo o professor Thiago Monteiro, da UFBA, “este trabalho mostra que o que acontece na foz do Amazonas e na margem equatorial gera impacto em uma área muito grande no oceano Atlântico”. A pesquisa também aponta que a menor salinidade pode elevar o pH, auxiliando a formação de esqueletos e conchas em moluscos e corais.
Os próximos passos da equipe incluem investigar a influência da pluma em profundidades maiores e analisar como as mudanças climáticas afetam esse ciclo. Matheus Batista alerta que a alteração no regime de chuvas na Amazônia impacta diretamente a pluma. “Já sabemos que o período chuvoso está ficando mais intenso, aumentando a influência da pluma, e no período seco está havendo menos chuva do que deveria, então há menos influência da pluma. E isso tem um impacto nos fluxos de CO₂ e nas variáveis do sistema carbonato”, conclui.
Com informações do Portal Amazônia.