Daniel Ricciardo não sabia a hora de se aposentar da Fórmula 1. Mas ficou feliz quando a decisão foi tomada por ele pelos dirigentes da Racing Bulls em 2024.
Titular da Red Bull entre 2014 e 2018, o australiano perdeu espaço na equipe e decidiu se transferir para a Renault, onde não conseguiu bons resultados ao longo de duas temporadas. Transferiu-se então para a McLaren, onde sofreu para se adaptar ao longo de 2021 e 2022. No fim, perdeu a vaga no time para Oscar Piastri e ficou sem lugar para correr no começo da temporada de 2023.
“Em 2022, tive muitas dificuldades no meu segundo ano na McLaren. Eles me dispensaram. Então, em 2023, comecei sem vaga e pensei: ‘Será que é isso? Devo parar agora?’ Mas eu sabia que ainda havia um desejo ardente dentro de mim”, afirmou Ricciardo em entrevista ao CEO da Ford, Jim Farley, publicada na quarta-feira (1º). “E foi aí que eu realmente precisei me olhar no espelho e pensar: ‘OK, esqueça o que as pessoas dizem e o que elas querem, o que você quer?’”
Naquele começo de 2023, Ricciardo evitou conversar com as pessoas, para que a decisão de seguir ou encerrar a carreira fosse exclusivamente dele. No fim, entendeu que “aquela chama” ainda estava acesa e quis continuar. Foi recontratado pela Red Bull, mas como piloto reserva.
Não demorou para que viesse uma nova chance. Após dez corridas, a AlphaTauri dispensou o holandês Nyck de Vries e recolocou Daniel Ricciardo no cockpit. Mas o retorno durou pouco: já no GP da Holanda, terceira prova após a volta, o australiano sofreu um acidente nos treinos livres e acabou diagnosticado com uma fratura. Resultado: a equipe precisou escalar o neozelandês Liam Lawson.
“Voltei ao volante no meio da temporada. Consegui uma vaga e, na segunda ou terceira corrida, quebrei a mão. Foi um acidente tão bobo, mas perdi várias corridas”, lembrou. “Então isso aconteceu, e eu pensei: ‘Bem, nunca me machuquei de verdade correndo todos esses anos, e sofro uma batida boba, será que isso é um sinal? Será que devo desistir enquanto ainda estou quase no topo?’”
Ricciardo insistiu e voltou à pista após cinco etapas de afastamento. Neste intervalo, Lawson mostrou bons resultados, com direito ao nono lugar no GP de Singapura. Ricciardo conquistou um sétimo lugar no GP do México e terminou o ano à frente do neozelandês, mas a AlphaTauri – que passaria a ser Racing Bulls em 2024 – viu que tinha um problema.
O experiente australiano foi mantido como titular da equipe para a temporada seguinte, com Liam Lawson na reserva. Conseguiu bons resultados, com direito ao oitavo lugar no GP do Canadá, mas acabou dispensado. O contrato entre Lawson e a equipe previa que ele fosse utilizado como titular até certo prazo, ou poderia ser liberado sem custos para outro time. No fim, Ricciardo se despediu da equipe no GP de Singapura – e ainda que a aposentadoria não tivesse sido anunciada na época, o piloto e a equipe entenderam que era o fim da linha.
“Aguentei mais um ano na F1 e, no fim, fui dispensado. Essa era a realidade na época. Mas acho que, depois disso, já tinha sido dispensado duas vezes nos últimos dois anos. Isso também me desgastou muito. Eu tinha me dedicado muito e me sentia bastante exausto. Refletindo sobre isso, sou grato por terem tomado a decisão por mim.”
Fonte: Band F1