Entrega de veículos da Tesla decepciona e ações da empresa despencam em meio a maior concorrência no mercado de carros elétricos
A Tesla teve um início de ano abaixo das expectativas do mercado. A empresa não atingiu a projeção de analistas para as entregas de veículos no primeiro trimestre, registrando seu pior desempenho em um ano. A queda ocorre em um contexto de redução de incentivos fiscais para carros elétricos nos Estados Unidos e aumento da concorrência global.
No total, a Tesla entregou aproximadamente 358 mil veículos no primeiro trimestre, um número inferior ao esperado, embora represente um crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior. Após a divulgação dos resultados, as ações da empresa, liderada pelo bilionário Elon Musk, caíram quase 4% e acumulam uma perda de cerca de 15% em 2026.
Outro sinal de alerta é o aumento do estoque de veículos não vendidos. A Tesla produziu mais de 50 mil veículos além do que conseguiu entregar aos clientes – a maior diferença em pelo menos quatro anos. A empresa também perdeu recentemente a posição de maior fabricante de carros elétricos do mundo para a chinesa BYD, embora ainda tenha superado a rival em vendas de veículos 100% elétricos no início deste ano.
Apesar de um crescimento de 23,5% nas vendas na China, um de seus principais mercados, entre janeiro e março, especialistas apontam sinais de desaceleração. A Tesla acumula dois anos consecutivos de queda nas entregas – um fato inédito em sua história – e as previsões indicam que essa tendência pode continuar. Concorrentes como a Rivian, que entregou mais veículos do que o previsto, também estão ganhando espaço.
O fim do benefício fiscal de US$ 7.500 para a compra de carros elétricos nos Estados Unidos impactou negativamente as vendas, levando muitos consumidores a adiarem a aquisição desses veículos. Na Europa, montadoras tradicionais e marcas chinesas intensificam a competição, enquanto a Tesla mantém uma linha de modelos com poucas atualizações recentes.
Apesar dos desafios, investidores ainda confiam no futuro da Tesla, impulsionados pela diversificação da empresa em áreas como energia solar, robôs humanoides e carros autônomos. Atualmente, a Tesla vale cerca de US$ 1,4 trilhão (aproximadamente R$ 7,2 trilhões), mesmo com a maior parte de sua receita ainda proveniente da venda de carros.
Projetos ambiciosos, como o de robotáxis – veículos autônomos – já estão em fase de testes em Austin, no Texas, com planos de expansão. A empresa também está desenvolvendo o Cybercab, um carro autônomo de dois lugares para esse tipo de transporte. No entanto, essa operação ainda é pequena e limitada, ficando atrás de concorrentes como a Waymo, que já possui uma presença mais consolidada no mercado americano.
Com informações do G1