Uma pesquisa inovadora, desenvolvida pela mestra em Linguística Hanna Almeida na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), investiga como as metáforas do amor influenciam a compreensão da violência doméstica contra a mulher. O estudo, premiado no Prêmio FAPEMA 2025, revela que a linguagem utilizada pelas vítimas não apenas reflete suas experiências, mas também pode naturalizar ou, em contextos de apoio, facilitar a superação da violência.
A pesquisa, intitulada ‘Metáforas do amor na fala das mulheres vítimas diretas de violência doméstica’, analisou discursos de mulheres acolhidas em casas de apoio no Maranhão e no Rio Grande do Sul. Os resultados mostram que as vítimas frequentemente usam metáforas que ligam o amor à dor e ao sacrifício, como em frases como ‘eu tenho que me sacrificar por esse casamento’.
“Equivocadamente, as pessoas dizem ‘ficou porque quis’ ou ‘ficou porque ama’, mas será que é assim? O que eu posso explorar dentro do fenômeno metafórico, dentro do que elas dizem sobre o ocorrido? O que eu posso rastrear em relação a como elas apreenderam esse amor?”, questiona Hanna Almeida. O estudo demonstra que, em ambientes de acolhimento, as mulheres começam a usar uma linguagem que expressa amor próprio e sororidade, indicando um processo de reconstrução.
A pesquisadora destaca a importância das casas de acolhimento como espaços de transformação, onde as mulheres podem romper com antigas concepções de amor e construir novas narrativas. “Hoje, elas já têm o amor próprio ocupando uma instância maior. Não somente esse, mas também a metáfora da sororidade: não se sentem mais aprisionadas, isoladas ou sozinhas”, finaliza.
Disponível no repositório online da UFMA, o estudo oferece subsídios para uma escuta mais empática e para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes no combate à violência doméstica.
Com informações do Portal Amazônia.