Línguas indígenas em Rondônia: madeireiros e igrejas ameaçam idiomas locais

Um levantamento do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), do Iphan, aponta que a extração ilegal de madeira e a atuação de igrejas neopentecostais são as principais ameaças às línguas indígenas no Brasil. Em Rondônia, a situação é crítica: a língua Oro Win está desaparecendo, enquanto idiomas como Sakurabiat, Kawahiba (Amondawa), Salamãi, Latundê, Kwazá e Aikanã apresentam grau severo de ameaça de extinção.

No caso do povo Karipuna, em Bandeirantes e Buriti (RO), a pressão de madeireiros que utilizam drogas e corrupção para dividir comunidades é devastadora. O relatório indica que a língua Kawahiba do povo Karipuna está em processo de desaparecimento, com apenas 10 falantes restantes. “Nenhuma criança aprendeu [a língua], e os jovens de até 23 anos já não a praticam constantemente devido ao seu maior contato com os não indígenas”, detalha o documento

Inventário do Iphan aponta Igrejas neopentecostais e madeireiros como principais ameaças para línguas indígenas
Aldeia Mbyá-Guarani em São Paulo. Foto: Divulgação/Iphan

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A influência religiosa também é citada como fator de risco. O inventário destaca a atuação de organizações missionárias e igrejas, como a Universal, que interferem na educação escolar indígena por meio de cartilhas de alfabetização e desencorajam festas tradicionais. Em Rondônia, a Missão Novas Tribos é mencionada por gerar “desprestígio das tradições e cultura local” nas comunidades Wari’ e Oro Win

Aldeia Latundê. Foto: Divulgação/Iphan

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Além das pressões externas, a expansão do português em contextos de saúde, escola e internet, somada aos casamentos interétnicos, acelera a obsolescência dos idiomas. No caso dos Amondawa, a falta de material didático na língua materna dificulta a preservação, tornando a dependência do português quase total nas escolas.

O INDL, instituído em 2010, busca documentar e valorizar as línguas formadoras da sociedade brasileira. A plataforma digital lançada recentemente visa aproximar as comunidades de suas culturas, permitindo que sejam “gestoras do seu próprio patrimônio cultural” e combatendo a invisibilidade de centenas de idiomas falados no país

Arte: Reprodução/Iphan

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Com informações do Portal Amazônia.

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