Inflação de alimentos cai em junho, mas hortaliças seguem com preços altos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do Brasil, registrou uma alta de 0,16% em junho, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra um cenário misto: enquanto alguns itens do supermercado ficaram mais baratos, as despesas com a casa continuam pesando no bolso do consumidor.

O grande destaque positivo do mês foi a inflação de alimentos, que teve queda de 0,24%. Esse grupo foi o que mais contribuiu para reduzir a pressão sobre o índice geral. Especificamente, os alimentos consumidos em casa recuaram 0,39%, impulsionados pela baixa nos preços do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%).

Apesar da queda geral no grupo, alguns itens essenciais continuam em trajetória de alta. O feijão-carioca, por exemplo, subiu 8,31%, e a batata-inglesa teve alta de 3,57% no mês de junho. Já a alimentação fora de casa, como restaurantes e lanchonetes, teve uma alta mais moderada de 0,15%, desacelerando em relação ao mês anterior.

Ao analisar o primeiro semestre do ano, o impacto climático ficou evidente nos preços das hortaliças. O pepino foi o item que mais encareceu, com uma alta impressionante de 155,47%, seguido pela cenoura (103,14%) e pelo tomate (82,41%). No Norte, o açaí (emulsão) também registrou alta expressiva de 27,64% no período.

Segundo relatórios técnicos, o calor excessivo em regiões produtoras como São Paulo e Minas Gerais reduziu a produtividade do pepino. Já a cenoura foi prejudicada pelo excesso de chuvas, que causou doenças nas raízes, e o tomate sofreu com a baixa temperatura e alta umidade, que favoreceram fungos e bactérias, diminuindo a oferta no mercado.

No lado oposto, alguns produtos deram um alívio ao orçamento no semestre. O abacate (-41,3%), a laranja-baía (-32,81%) e o café moído (-11,49%) foram alguns dos itens que mais baratearam.

Fora do supermercado, o grupo de Habitação foi o que mais pressionou a inflação de junho, com alta de 0,63%. O principal vilão foi a energia elétrica residencial. Embora a alta tenha desacelerado (de 3,67% em maio para 1,53% em junho), a conta de luz segue cara devido à manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Outros reajustes notáveis ocorreram em Despesas Pessoais (0,25%), com destaque para serviços de cabeleireiro e barbeiro, e em Saúde (0,23%), onde os planos de saúde subiram refletindo o reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Com informações do G1

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