China atinge marco inédito com pouso de foguete em terra firme

A startup chinesa LandSpace alcançou um resultado histórico nesta quarta-feira (19). A empresa conseguiu recuperar e realizar o pouso vertical, em solo firme, do primeiro estágio do seu foguete Zhuque-3.

De acordo com informações da Reuters, essa manobra torna a LandSpace a primeira companhia privada da China a efetuar o pouso de um propulsor de classe orbital. O avanço coloca o país chinês mais próximo da tecnologia de foguetes reutilizáveis, atualmente liderada por empresas dos Estados Unidos, como a SpaceX e a Blue Origin.

A capacidade de trazer de volta, recuperar e utilizar novamente um propulsor é um passo essencial para a diminuição de custos e a facilitação do envio de satélites para a órbita. Esse modelo busca transformar a exploração do espaço em um negócio comercialmente viável, seguindo a lógica da aviação civil.

O sucesso aconteceu na segunda tentativa da LandSpace de pousar o primeiro estágio do Zhuque-3. O veículo é construído em aço inoxidável, conta com nove motores e é apresentado pela companhia como a alternativa chinesa ao Falcon 9, da SpaceX.

Com uma altura de 66,1 metros, o Zhuque-3 partiu da Zona-Piloto de Inovação Comercial Espacial de Dongfeng, localizada no noroeste da China. O propulsor retornou a uma área de pouso na província de Gansu, situada a aproximadamente 390 quilômetros a sudeste do local de lançamento, conforme noticiado pela imprensa estatal chinesa.

Segundo a Reuters, a conquista deve elevar a confiança de investidores no momento em que a LandSpace planeja abrir seu capital no STAR Market, que é o segmento de tecnologia da Bolsa de Xangai.

A empresa tem a meta de arrecadar 7,5 bilhões de yuans (US$ 1,11 bilhão ou R$ 5,73 bilhões) por meio de uma oferta pública inicial de ações. O montante será destinado ao financiamento do desenvolvimento e à expansão de seus serviços de lançamentos reutilizáveis. Em junho, a LandSpace atualizou seu prospecto de IPO na Bolsa de Xangai, indicando a intenção de se tornar lucrativa até 2029.

Este lançamento representou a quarta tentativa da China de recuperar um propulsor de classe orbital. Em dezembro de 2025, a LandSpace já havia feito história como a primeira empresa chinesa a testar um foguete reutilizável; na ocasião, o veículo atingiu a órbita, mas o primeiro estágio não completou o pouso controlado.

Pouco tempo depois, o Estado chinês lançou o Long March 12A, que também alcançou a órbita, porém sem conseguir recuperar o propulsor. Já em julho, a China obteve sucesso em um teste experimental de recuperação utilizando um sistema de redes em plataforma marítima, tornando-se o segundo país a pousar um foguete de classe orbital.

Diferente dos modelos com pernas retráteis, o Long March 10B utiliza quatro ganchos leves para se fixar a cabos de aço no sistema de rede. Para Pequim, essa inovação reduz o peso da estrutura do foguete e amplia a sua capacidade de carga.

Com informações do G1

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