O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (19) a implementação de uma “guerra econômica” direcionada ao Irã. Na ocasião, o líder americano também alertou que irá punir qualquer nação que colabore para a manutenção da atividade econômica do país.
Por meio de uma publicação na rede social Truth Social, Trump declarou que pretende executar a “operação econômica mais devastadora já adotada contra qualquer país”. De acordo com o presidente, a estratégia visa promover o isolamento do Irã em uma escala sem precedentes.
“QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã também enfrentará CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS ENORMES”, escreveu Trump.
O presidente enfatizou a necessidade de interromper imediatamente diversas operações financeiras e logísticas: “Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa parar AGORA. Vocês sabem quem são.”
Até o momento, a Casa Branca não detalhou os mecanismos técnicos de como a ofensiva será operada, nem especificou a natureza das sanções que serão aplicadas aos países que mantiverem a colaboração com o regime iraniano. Trump reiterou que espera que todos os aliados dos Estados Unidos atuem para “isolar” e “derrotar” a “ameaça iraniana”.
A medida é justificada pelo fracasso nas negociações para a interrupção do programa nuclear do Irã, iniciadas no começo do ano. Segundo Trump, a estratégia de asfixia econômica é a resposta à ausência de um acordo diplomático.
Especialistas questionam a eficácia da medida, visto que o Irã já enfrenta diversas sanções que restringem seu comércio exterior. Em janeiro, Trump já havia estabelecido uma tarifa de 25% para nações que realizassem negócios com o país.
Apesar das restrições, o Irã mantém fluxos comerciais robustos devido à sua posição como grande produtor de petróleo. Dados do Banco Mundial indicam que, em 2022, o país exportou mercadorias para 147 nações.
Atualmente, a China lidera a lista de parceiros comerciais do Irã. Em 2022, as exportações iranianas para os chineses somaram US$ 22 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 15 bilhões. A Índia aparece em segundo lugar, com um comércio bilateral de US$ 1,34 bilhão nos primeiros dez meses de 2025, destacando-se a exportação de arroz, frutas e fármacos para o Irã.
Outros parceiros relevantes incluem Alemanha, Coreia do Sul e Japão, todos aliados estratégicos dos EUA. No caso do Brasil, embora o Irã não esteja entre os 20 principais parceiros comerciais segundo o MDIC, é um destino chave no Oriente Médio. Em 2025, as exportações brasileiras (milho, soja e açúcar) somaram US$ 2,9 bilhões, enquanto as importações (ureia, pistache e uvas secas) foram de US$ 84,5 milhões.
Com informações do G1