A estratégia adotada pela campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL, foca em encerrar a primeira fase do pleito à frente do presidente Lula. O objetivo é estabelecer um cenário de favoritismo que consiga atrair a maioria dos eleitores de outros nomes da direita, a exemplo de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
A equipe de campanha de Flávio espera conquistar, desta vez, o suporte oficial dos partidos que compõem o Centrão, elemento que não ocorreu no primeiro turno anterior. Entre os integrantes mais otimistas do grupo, cogita-se inclusive a possibilidade de uma vitória direta no primeiro turno, impulsionada por um movimento de “voto útil” nesta etapa final da disputa.
Contudo, essa estratégia enfrenta obstáculos devido às recentes medidas do governo federal. O presidente Lula anunciou a atualização dos valores do Bolsa Família e prepara a assinatura de uma medida provisória para combater as casas de apostas online (bets) no Brasil, iniciativa que conta com ampla aceitação popular.
Dados da pesquisa Quaest indicam que, em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro teria 42% das intenções de voto contra 41% de Lula. Já o levantamento do Datafolha aponta que o candidato do PL teria potencial para absorver 43% dos votos de eleitores de Zema, Santos, Caiado e Cury.
Em contrapartida, Lula atrairia 30% desse mesmo grupo de eleitores da direita. Flávio Bolsonaro apresenta melhor desempenho entre os apoiadores de Zema e Renan Santos, enquanto mantém um empate técnico nas bases de Ronaldo Caiado e Augusto Cury.
Do lado do governo, a meta é garantir que Lula termine a primeira etapa na liderança. Aliados do presidente acreditam que a medida provisória contra as bets terá impacto positivo especialmente entre as mulheres, segmento considerado fundamental para o resultado final, já que este grupo é o mais crítico aos jogos de apostas.
“As pesquisas mostram hoje um forte sentimento contrário às bets. Lula vai trabalhar com esse sentimento a seu favor. Isso vai pesar e muito nesta reta final”, afirmou um interlocutor do presidente da República, demonstrando confiança na liderança do petista no primeiro turno.
Segundo este auxiliar, a liderança inicial seria determinante para manter o apoio do Centrão e influenciar a postura de aliados de Flávio Bolsonaro na fase final. A análise indica que, em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) poderia vencer no primeiro turno e não empenhar esforços significativos em favor do candidato do PL, visando sua própria viabilidade presidencial em 2030.
Com informações do G1