Meta lança óculos inteligentes sem câmera para evitar gravações indevidas

Durante sua conferência anual realizada na última quarta-feira (23), a Meta apresentou novos óculos inteligentes. Além de atualizar seu modelo tradicional, a empresa trouxe como principal destaque um dispositivo que não possui câmera, desenvolvido após diversas queixas sobre a gravação de vídeos de terceiros sem o devido consentimento.

O novo modelo, chamado de Ray-Ban Meta Audio, tem como objetivo captar a voz do usuário em chamadas telefônicas com maior nitidez do que os fones de ouvido comuns. O aparelho também permite que a pessoa ouça podcasts e músicas sem a necessidade de usar as mãos.

O dispositivo é integrado ao Muse, o agente de inteligência artificial da Meta que chegou ao mercado no início de setembro. Por meio dessa IA, o usuário pode organizar sua agenda, realizar pesquisas na internet, registrar refeições, comprar produtos e receber instruções para treinos físicos.

De acordo com as especificações da fabricante, os óculos possuem um peso de 43 gramas e a bateria dura até 12 horas com uma única carga completa.

O lançamento ocorre em um momento de intenso debate sobre a privacidade gerada pelos óculos da Meta. O Ray-Ban Meta Audio está disponível em duas versões de armação: a Burbank, com formato retangular, e a Clubmaster, que possui um estilo retrô. Ao todo, são 23 combinações de cores e lentes.

Nos Estados Unidos, o modelo é vendido no site da Ray-Ban com preços a partir de US$ 349 (aproximadamente R$ 1.800,00 na conversão direta). A Meta confirmou que o produto e outros modelos chegarão ao Brasil, embora os valores para o mercado nacional ainda não tenham sido revelados.

A tendência de óculos inteligentes sem câmera também é adotada por outras marcas. A Even Realities, por exemplo, lançou um modelo similar em 2024, afirmando que a ausência da câmera diminui o medo de filmagens escondidas. Outras empresas, como a Snap, que lançou óculos de R$ 11.000,00 em junho, e a OpenAI, também exploram aparelhos vestíveis para o cotidiano.

No mesmo evento, a Meta apresentou o Muse Charm, um dispositivo com personagem virtual inspirado no Tamagotchi que representa a IA Muse, e os Meta VR Glasses, óculos de realidade virtual focados em proporcionar uma experiência cinematográfica.

Apesar das críticas à privacidade, a companhia também lançou a terceira geração do Ray-Ban Meta convencional, que mantém a câmera. Este modelo conta com um sensor de 12 megapixels e grava vídeos em resolução 3K Ultra HD de forma prática.

Para tentar mitigar problemas, o modelo mantém a luz indicadora que avisa quando fotos ou vídeos estão sendo registrados. No entanto, a medida não impediu que pubs, teatros e restaurantes no Reino Unido restringissem o uso do aparelho.

Atualmente, a Meta enfrenta uma ação coletiva na Califórnia. A empresa é acusada de utilizar fotos dos dispositivos para treinar sistemas de IA através de análise humana. O processo alega que as imagens incluem cenas íntimas, como pessoas em banheiros ou trocando de roupa, e dados financeiros. A Meta nega as acusações.

A nova versão com câmera possui bateria que dura nove horas, um incremento de uma hora em relação aos modelos anteriores. Está disponível em três estilos de armações com 27 combinações de cores e lentes, custando a partir de US$ 449 (cerca de R$ 2.300,00 na conversão direta) nos EUA, com preço para o Brasil ainda a definir.

Com informações do G1

Deixe um comentário