Pouco mais de um ano após a popularização do ‘morango do amor’, a fruta volta a ganhar destaque nas redes sociais com uma nova sobremesa: o morango cravejado. O doce, composto por um morango envolto em brigadeiro e chocolate branco derretido com cristais de açúcar, já é comercializado por valores de até R$ 40,00 em São Paulo.
No entanto, o preço elevado do produto final não se deve apenas à alta demanda e ao custo de preparo. A principal matéria-prima, o morango, apresenta forte alta de preços nas Centrais de Abastecimento (Ceasas). No mercado de São Paulo, por exemplo, o valor do quilo registrou um aumento de 30% em comparação a setembro do ano anterior, passando de R$ 19,66 para R$ 25,59.
A variação de preços é ainda mais acentuada em outras capitais. Em Belo Horizonte (MG), a alta foi de 177%, com o preço saltando de R$ 15,00 para R$ 41,00. Já em Curitiba (PR), a elevação foi de 94%, elevando o custo de R$ 18,00 para R$ 35,00.
De acordo com Ronaldo Herculano de Lima, engenheiro agrônomo e consultor da empresa Ser Agro, esse encarecimento é a consequência direta das fortes chuvas que atingiram as regiões produtoras desde o final de agosto.
Devido às condições climáticas, a oferta de morangos foi reduzida e a qualidade da fruta caiu justamente no período em que deveria ocorrer o pico da safra, nas últimas semanas de setembro, início da primavera. O especialista aponta que alguns produtores chegaram a ter perdas de até 80% de suas lavouras.
Para a elaboração do morango cravejado, são necessárias frutas de tamanho maior e sabor mais adocicado. Segundo a estimativa de Lima, apenas uma em cada 50 unidades colhidas atende a esses critérios técnicos de qualidade.
O setor agora aguarda a próxima etapa de plantio, com previsão de colheita para os próximos 60 dias. Embora setembro seja o mês tradicional da fruta, melhorias genéticas permitem que áreas de clima frio, especialmente no Sul do país, mantenham a produção durante todo o ano.
O desenvolvimento ideal do morango ocorre em temperaturas entre 15°C e 30°C, com baixos índices pluviométricos. Para os consumidores que desejam preparar a sobremesa, a recomendação é adquirir frutas refrigeradas e mantê-las sob refrigeração imediata. Caso não sejam vendidas assim, o consumo deve ser rápido.
Além disso, é fundamental verificar a integridade de todas as frutas na embalagem, pois a presença de mofo em uma única unidade pode contaminar todo o lote.
Com informações do G1