Papa Leão XIV afirma que riscos da IA não são ‘fake news’

O papa Leão XIV declarou nesta segunda-feira (28) que as inquietações sobre a possibilidade de a inteligência artificial (IA) destruir o mundo não são “fake news” e precisam ser encaradas com seriedade. A fala é interpretada como uma crítica direta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Sendo o primeiro papa de nacionalidade norte-americana, Leão tem utilizado seus 16 meses de pontificado para alertar sobre os perigos da IA. Além disso, o pontífice tem feito críticas abertas a executivos do setor tecnológico que defendem a ausência de restrições para a ferramenta.

“Eu realmente acredito que as preocupações levantadas por muitos especialistas em inteligência artificial devem ser levadas a sério”, afirmou o líder da Igreja Católica em entrevista coletiva. A declaração ocorreu durante o voo de retorno a Roma, após cumprir uma agenda de quatro dias na França.

Sobre a negação de tais riscos por algumas figuras públicas, o papa foi enfático: “Não acho que isso seja fake news, como alguns disseram”.

O comentário surge após a participação de Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, na semana passada, ocasião em que o presidente americano classificou como uma “farsa” os receios relativos aos riscos que a IA poderia representar para a humanidade.

Ainda nesta segunda-feira, o papa mencionou ter lido que o presidente da Nvidia, fabricante de chips, sugeriu a implementação de mecanismos de segurança em modelos específicos de IA. No entanto, Leão demonstrou ceticismo quanto à postura da empresa.

“É a mesma pessoa, no entanto, que diz que não deveria haver limites nem regulamentação governamental”, pontuou o papa, referindo-se ao CEO da Nvidia.

Recentemente, Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, afirmou à CBS News que concorda com a visão de Trump, considerando que as preocupações com a segurança da inteligência artificial são exageradas.

Diante do cenário, Leão XIV defendeu que a comunidade global incentive o “diálogo, estudo e pesquisa para encontrar formas de garantir que a IA não chegue a um ponto em que possa destruir a humanidade”.

O pontífice concluiu afirmando que, embora existam pessoas genuinamente interessadas na questão, o trabalho deve ser contínuo. “Acho que há pessoas suficientes seriamente interessadas nisso (…), mas precisamos continuar trabalhando. Não podemos simplesmente cruzar os braços e fingir que nada vai acontecer”.

Com informações do G1

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