Os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e das Relações Exteriores (Itamaraty) informaram, em nota publicada nesta quarta-feira (30), que a administração do presidente Donald Trump deve apresentar, nas próximas semanas, uma nova proposta de negociação sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros.
O comunicado foi emitido após o encontro entre os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (MDIC) com Jamieson Greer, representante comercial da Casa Branca, em Milwaukee, nos Estados Unidos. Os ministros brasileiros cumprem agenda na cidade para a reunião ministerial de comércio do G20, bloco do qual ambos os países são membros.
“O governo norte-americano deverá encaminhar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para o escopo dos trabalhos, contemplando questões tarifárias e não tarifárias. Também foi acordada a criação de um Grupo de Trabalho para discutir temas relacionados a um possível acordo”, detalha a nota oficial.
De acordo com as pastas, a reunião serve como desdobramento de um diálogo recente entre os presidentes Lula e Trump, no qual ficou decidido que as equipes técnicas deveriam retomar as tratativas sobre o chamado “tarifaço”.
Os Estados Unidos ocupam a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China. Por isso, a orientação do governo brasileiro é buscar um consenso por meio de negociações diplomáticas.
“Durante a reunião, os ministros brasileiros reafirmaram a disposição do Brasil de avançar, por meio do diálogo e da negociação, na construção de soluções para os temas que afetam o comércio bilateral, sempre tendo como referência a defesa dos interesses brasileiros e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países”, afirmou o governo.
Atualmente, o Brasil enfrenta duas rodadas de sobretaxas americanas: uma de 25%, baseada na visão da Casa Branca de que o Brasil utiliza práticas econômicas desleais em setores como propriedade intelectual, etanol e o sistema PIX; e outra de 12,5%, sob a justificativa de que o país não teria sido rigoroso ao impedir a entrada de mercadorias provenientes de locais com trabalho forçado.
Representantes brasileiros argumentam que a Casa Branca ignorou evidências técnicas, sugerindo que as medidas possuem motivação política e não comercial. Diante disso, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando tratamento discriminatório em relação a outros parceiros comerciais dos EUA.
Embora os Estados Unidos tenham dito à OMC que estão abertos ao diálogo, diplomatas brasileiros afirmam que ainda não houve sinalização de reversão das tarifas. Após reunião em Genebra na semana passada, foi estabelecido um prazo de 60 dias para um acordo. Caso não haja consenso, o tema poderá ir a julgamento por meio de um painel da OMC.
A China solicitou formalmente participar do processo, porém os Estados Unidos se opuseram à inclusão dos chineses nas discussões.
Sobre a relação com Donald Trump, o presidente Lula afirmou recentemente que mantém um vínculo de respeito mútuo. “Acho que o Trump é uma pessoa sui generis, porque ele muitas vezes não diz nada com nada, você conversa com ele e parece que não conversou, mas ele tem me tratado com respeito e eu trato ele como presidente, com respeito. Gostando ou não gostando dele, ele foi eleito pelo povo americano. Eu vou ser eleito pelo povo brasileiro”, declarou.
Lula enfatizou ainda que “ele não precisa gostar de mim ou não, só tem que ter relação civilizada, relação respeitando a soberania do Brasil”.
Com informações do G1