A inclusão do tambaqui (Colossoma macropomum) como espécie “vulnerável” na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção causou surpresa em muitos, mas não nos especialistas. Segundo o professor Bruno Prudente, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), essa mudança reflete um declínio populacional gradual e evidências de ameaças constantes ao peixe.
A classificação, atualizada pelo ICMBio e publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, segue critérios internacionais da IUCN. No Brasil, a espécie é nativa de estados como Rondônia, Acre e Amazonas, dependendo fortemente das florestas de várzea para alimentação e reprodução.

O professor Prudente alerta que o desmatamento dessas áreas e a alteração dos rios prejudicam a reprodução natural. “Ter tambaqui no mercado não significa que a população dessa espécie está ok, em alguns casos, grande parte dessa oferta é proveniente de piscicultura”, explica o docente, reforçando a necessidade de preservar os berçários naturais.
Para reverter a situação, a ciência sugere aprimorar as regras de pesca do tambaqui nativo e investir em estudos de biologia básica. O manejo não deve se limitar apenas ao período de defeso, mas considerar o tamanho dos peixes capturados e os níveis de ameaça das várzeas locais.

Outra alternativa viável é o fortalecimento de uma piscicultura sustentável e rastreável. O professor Igor Hamoy, da UFRA, destaca que a tecnologia de rastreabilidade genética permite diferenciar se o peixe vendido em feiras veio de cativeiro ou foi retirado ilegalmente da natureza, reduzindo a pressão sobre os estoques selvagens.
Atualmente, o Ministério do Meio Ambiente deve elaborar um Plano de Recuperação para a espécie. A UFRA coloca sua capacidade técnica à disposição de órgãos fiscalizadores para realizar diagnósticos genéticos e programas de “peixamento”, visando a reintrodução de exemplares na natureza.
Com informações do Portal Amazônia.