Recursos da Amazônia são amplamente empregados na criação de biocosméticos por possuírem capacidades anti-inflamatórias, regenerativas e hidratantes. Esse saber, já consolidado na cultura do Norte, é objeto de estudo na Universidade do Estado do Amapá (Ueap), onde nasceu o projeto Meninas na Ciência, iniciativa de extensão que busca estimular a presença feminina na pesquisa acadêmica.
Cinco alunas da Escola Estadual Esther da Silva Virgolino foram escolhidas para a equipe. No contraturno escolar, elas recebem instruções teóricas e práticas sobre a fabricação de biocosméticos, utilizando insumos naturais da floresta e dominando métodos tradicionais de extração de essências e óleos usados por comunidades extrativistas

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“O projeto surge quando a gente percebe que as meninas têm uma certa rejeição com as áreas das exatas e também não se imaginam no campo da pesquisa. Então a gente pensou, sentamos com meu grupo do Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) em fazer um projeto destinado a meninas e incentivar elas no campo da ciência. O projeto vem alinhando não somente a questão das mulheres dentro do campo da pesquisa, mas também o reconhecimento dos povos originários”, explicou a coordenadora.
A iniciativa valoriza a cultura do povo Wajãpi, utilizando a Bioamazônia do Amapá por ser mais preservada que outras regiões da Amazônia Legal. Na fase inicial, as estudantes aprenderam sobre grafismos Wajãpi e aspectos culturais dos povos originários

. Vanessa Letícia, de 16 anos, afirma que o projeto é fundamental, pois ensina a trabalhar em grupo e integra química, biologia e ciência, gerando aprendizados “imensuráveis”.
As atividades são coordenadas por Ini Palheta, acadêmica de licenciatura em química, que une práticas de laboratório a saberes ancestrais. A intenção é que as alunas compartilhem esse conhecimento com outras jovens e escolas agrícolas, promovendo a expansão do saber técnico e cultural.
Além da parte científica, o projeto incentiva o empreendedorismo para que as estudantes conquistem autonomia e independência financeira através dos produtos fabricados, que podem incluir pinturas e significados culturais em suas embalagens.
Com informações do Portal Amazônia.