Preço do feijão carioca dispara quase 20% em 12 meses, pressionado por safra menor e estoques reduzidos. Veja quando deve cair
O preço do feijão carioca registrou alta de 19,69% nos últimos 12 meses, impulsionado pela combinação de uma safra menor e baixos estoques, conforme dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). O encarecimento já era observado em fevereiro, com alta de cerca de 11% no mês e no acumulado anual.
A alta no preço pago ao produtor foi ainda mais expressiva, atingindo 29,3% entre janeiro e fevereiro – o maior nível já registrado desde o início da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em setembro de 2024. Segundo Tiago Pereira, assessor técnico da CNA, “tem pouco feijão carioca no mercado, enquanto a demanda segue alta, principalmente por produtos de melhor qualidade”.
A safra atual de feijão é a menor em quatro anos, totalizando 2,92 milhões de toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A oferta total, considerando estoques iniciais e importações, está no menor patamar em uma década, com cerca de 3,07 milhões de toneladas. O consumo interno é estimado em 2,7 milhões de toneladas, com exportações de 214,3 mil toneladas previstas para o ano. Lucilio Alves, pesquisador do Cepea, alerta que “isso significa que os estoques seriam suficientes para pouco mais de três semanas de consumo interno”.
A redução da oferta é atribuída às chuvas durante a colheita em Minas Gerais e Goiás, que comprometeram a qualidade e a disponibilidade de grãos de melhor padrão. A produção também foi afetada no Sul do país devido a condições climáticas desfavoráveis. Além disso, produtores estão diminuindo a área plantada, pois os preços mais baixos do ano passado não remuneraram adequadamente o trabalho, conforme explica Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe): “Alguns produtores que não colheram uma quantidade ideal por hectare tiveram prejuízo e reduziram a área plantada”.
A expectativa é de que o preço do feijão comece a apresentar alívio no segundo semestre, com a colheita do feijão carioca irrigado, principal fonte do produto, entre julho e setembro. Enquanto isso, Lüders sugere que os consumidores considerem a opção por outros tipos de feijão, que ainda estão mais baratos.
A situação do setor agrícola também é impactada por desafios logísticos, como revelam caminhoneiros que enfrentam dificuldades no transporte de safras, e pela busca por rotas alternativas para exportações, como o acordo com a Turquia para contornar o Estreito de Ormuz.
Com informações do G1