Floração de ipês em Belém: o que muda para quem mora lá

Quem caminha pelas ruas de Belém (PA) tem notado que a cidade está ficando mais colorida. As flores dos ipês, em tons de amarelo, roxo e rosa, trazem beleza ao cenário urbano e desempenham um papel ecológico vital, servindo de abrigo e alimento para diversas espécies da fauna e seus polinizadores.

Normalmente, a floração ocorre entre julho e setembro, mas esse período pode variar. Segundo o professor Emil José Hernández Ruz, do PPGBC/Campus Altamira, a floração dos gêneros Tabebuia e Handroanthus está ligada à fenologia, que analisa como o desenvolvimento do ser vivo reage a fatores climáticos e ambientais externos

O que a floração dos ipês pode dizer sobre atuais condições ambientais?
Foto: Val Fernandes/Secom

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O processo é complexo e envolve a ativação de mais de 80 genes. O “gatilho” para as flores surgirem pode ser o crescimento natural da planta ou a resposta a sinais do ambiente. Em Belém, alguns ipês florescem ao atingir a maturidade fisiológica, enquanto outros reagem à duração do dia, à luz e à disponibilidade de água.

O professor ressalta que “a temperatura é o fator direcionador do início da floração. O aquecimento geralmente antecipa esse início em virtude do acúmulo de graus-dia”. Além disso, a nutrição do solo, especialmente o nitrogênio, influencia o ciclo: o excesso pode retardar a floração, enquanto a escassez pode estimulá-la precocemente

Ipês
Foto: Reprodução/Prefeitura de Palmas, Prefeitura de Boa Vista e Lud Araújo

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A antecipação do desabrochar pode causar um descompasso fenológico, prejudicando a relação com polinizadores como abelhas e pássaros, o que reduz a produção de sementes. Isso conecta a região amazônica a estudos globais sobre extremos climáticos, embora o docente alerte que um único evento isolado não prova, por si só, a mudança climática.

Para o especialista, o ipê atua como um “termômetro biológico”. Enquanto a estação meteorológica mede chuva e temperatura, a árvore registra essas condições através de suas flores e frutos. “Se o calendário do ambiente muda de maneira persistente, o calendário da vida pode mudar junto”, finaliza o professor

Foto: Reprodução/PMBV

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Com informações do Portal Amazônia.

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