Xangai vs. Nova York: a disputa entre EUA e China se revela em obras mais rápidas e baratas na China. Entenda os motivos!
De Nova York a Xangai: uma viagem que expõe as diferenças no desenvolvimento de duas potências globais. Uma série especial do Fantástico, “Entre Dois Mundos”, coloca em perspectiva os modelos de crescimento da China e dos Estados Unidos. A comparação entre as duas metrópoles vai além do visual, revelando disparidades significativas em tempo, custo e execução de obras – e como cada cidade projeta seu futuro.
Enquanto Nova York lida com projetos que se arrastam por décadas e consomem bilhões de dólares, Xangai avança com obras concluídas em poucos anos e com custos notavelmente menores. Um exemplo claro é a conexão entre aeroporto e centro urbano: em Nova York, um trecho de 13 quilômetros exigiu anos de planejamento e cerca de US$ 2 bilhões, sem oferecer alta velocidade, com deslocamentos que podem ultrapassar uma hora.
Em contraste, o trem de levitação magnética de Xangai – considerado o mais rápido do mundo – foi construído em apenas três anos, custando aproximadamente metade do valor e completando o percurso em pouco mais de sete minutos. A diferença também se manifesta em grandes estações de transporte: uma nova entrada da Penn Station em Nova York custou cerca de US$ 1,6 bilhão e levou décadas para ser finalizada, enquanto a estação central de Xangai foi erguida em três anos por cerca de US$ 300 milhões – menos de um quinto do valor americano.
A expansão da rede de metrô também ilustra o ritmo distinto: apesar de ter começado quase um século depois, o sistema de Xangai já supera o de Nova York em extensão e número de estações. Mas por que a China constrói mais rápido e barato? Especialistas apontam para três fatores-chave: velocidade, escala e planejamento. Na China, grandes projetos são padronizados e replicados como “peças de Lego”, reduzindo custos. O planejamento centralizado agiliza decisões e a execução, sem os entraves políticos e disputas locais.
A velocidade também é crucial: quanto mais rápida a conclusão de uma obra, menor tende a ser o custo final. Esse cenário contrasta com a dinâmica de democracias como a americana, onde cada projeto enfrenta debates públicos, disputas políticas e resistências locais, resultando em atrasos e custos elevados. “Em alguns casos, a modernização necessária em cinco anos pode levar 50 anos para acontecer”, aponta a reportagem.
A comparação entre as cidades revela que decisões políticas e econômicas impactam diretamente o bolso e o tempo das obras. Nova York enfrenta custos altos e prazos longos, enquanto Xangai avança com rapidez e menor custo, sustentada por planejamento centralizado e execução em larga escala. A questão central, no entanto, vai além de quem constrói mais rápido ou barato: reside em que tipo de cidade e sociedade cada modelo está disposto a sustentar.
De Nova York a Xangai: uma viagem nos trilhos da disputa entre EUA e China. Reprodução/TV Globo
Com informações do G1