Um novo estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) alerta para a capacidade limitada de recuperação da floresta amazônica, mesmo diante de esforços de regeneração. A pesquisa, publicada na revista científica PNAS, indica que a recuperação não garante um retorno ao estado original e depende crucialmente das condições ao redor.
Os pesquisadores analisaram dados desde 2004 na região sul do Amazonas, em Mato Grosso, simulando diferentes regimes de incêndio para entender a reação da floresta à degradação. Contrariando expectativas, queimadas menos frequentes (a cada três anos) causaram impactos mais severos, devido ao acúmulo de biomassa e à maior intensidade das chamas.
Eventos climáticos extremos, como secas e tempestades, também intensificaram a mortalidade das árvores, chegando a 30% em alguns casos. A degradação é ainda maior nas bordas da floresta, onde a maioria dos incêndios se inicia.

Apesar do cenário preocupante, o estudo aponta que a recuperação da Amazônia ainda é possível, desde que haja a retirada de distúrbios causados pelo homem e a conservação de áreas próximas. A dispersão de sementes, auxiliada por animais como a anta, é fundamental para o repovoamento da vegetação.
Os cientistas ressaltam que, embora a floresta possa manter sua capacidade de permanecer como floresta, a biodiversidade e a complexidade estrutural podem ser drasticamente reduzidas. Controlar a degradação e manter a conectividade entre as florestas são essenciais para evitar o ponto de não retorno.
Com informações do Portal Amazônia.