Pelo terceiro ano consecutivo, Uiramutã, em Roraima, figura na última posição do Índice de Progresso Social (IPS), que avalia a qualidade de vida nos municípios brasileiros. A cidade, localizada na tríplice fronteira com Guiana e Venezuela, enfrenta desafios significativos em áreas como saneamento, saúde e infraestrutura.
O IPS considera 57 indicadores sociais e ambientais, agrupados em Necessidades Básicas, Bem-Estar e Oportunidades. Uiramutã obteve uma nota de 42,44, bem abaixo da média nacional. A situação incomoda os moradores, mas também revela um forte apego à cultura e ao modo de vida local.
O acesso a Uiramutã já é um obstáculo: são mais de seis horas de viagem a partir de Boa Vista, sendo cinco delas por estradas de terra precárias. No período chuvoso, a situação se agrava, com lama, buracos e atoleiros. A gasolina e o diesel são os combustíveis mais caros do estado, impactando a economia local.

Apesar das dificuldades, os moradores expressam um sentimento de pertencimento e tranquilidade. No entanto, a realidade é marcada pela falta de água potável, saneamento básico e serviços essenciais. A violência sexual contra crianças e adolescentes indígenas também é um problema grave, com índices alarmantes na região.
A prefeitura de Uiramutã defende que a avaliação da qualidade de vida deve considerar as particularidades das comunidades indígenas, mas especialistas alertam que diferenças culturais não podem justificar o abandono estrutural e a ausência de políticas públicas eficazes.
A situação de emergência decretada recentemente devido ao transbordamento de rios e igarapés afeta mais de 8,7 mil pessoas, demonstrando a vulnerabilidade da população local.

Com informações do Portal Amazônia.