PF investiga falsos alertas de ‘Defesa Civil’ que assustaram brasileiros

Milhares de pessoas em diversas regiões do Brasil foram surpreendidas na madrugada do último sábado (20) por notificações de emergência em seus celulares. No entanto, o governo federal confirmou que os disparos eram falsos e não seguiram o protocolo oficial do sistema “Defesa Civil Alerta”.

As mensagens, classificadas como “Alerta Extremo”, continham a palavra “misantropia” — termo que define a aversão ou rejeição à humanidade — ou variações desta palavra. O susto atingiu moradores de pelo menos sete unidades da federação, incluindo relatos de cidades como Campo Grande.

De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o comportamento desses disparos foi “fora do padrão por se tratar de um acionamento não autorizado”. Um ponto que chamou a atenção foi a falha na entrega: enquanto o sistema oficial é projetado para funcionar inclusive com aparelhos desligados, muitos usuários relataram que o alerta não tocou, mesmo com o celular ligado ou no silencioso.

A Polícia Federal já abriu uma investigação preliminar para apurar a origem do incidente. O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, foi direto ao apontar a causa provável: “tudo indica que foi um ataque hacker”. Ao todo, foram disparados 10 alertas falsos: nove via sistema Cell Broadcast e um via SMS.

Para entender a gravidade, é preciso saber que o “Defesa Civil Alerta” é uma ferramenta coordenada pela Defesa Civil Nacional e pela Anatel, executada pelas operadoras de telefonia. O sistema é gratuito e não exige cadastro, alcançando aparelhos Android e iOS lançados a partir de 2020 com tecnologia 4G ou 5G, independentemente de Wi-Fi ou pacote de dados.

O sistema opera em dois níveis de urgência. O “Alerta Severo” emite um sinal sonoro (beep) apenas se o aparelho não estiver no modo silencioso. Já o “Alerta Extremo”, utilizado em casos de risco iminente à vida, aciona um som semelhante a uma sirene que toca mesmo se o celular estiver no modo silencioso, exigindo que a população busque proteção imediata.

Até o momento, não foi possível estimar a quantidade exata de celulares que receberam as notificações falsas, mas a PF segue com os procedimentos para identificar os responsáveis pela invasão do sistema.

Com informações do G1

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