Um suco de uva produzido organicamente em São Roque, no interior de São Paulo, foi reconhecido como um dos melhores do país. O produto conquistou a medalha de platina no concurso organizado pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), alcançando uma pontuação entre 90 e 95 pontos em uma escala que vai até 100. A bebida se destacou em uma competição rigorosa que contou com a participação de quase 200 amostras de diversas regiões do Brasil.
A conquista é o resultado direto de um investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) que durou seis anos. O projeto integrou a prática de campo com a investigação acadêmica, totalizando quatro safras colhidas. Esse período foi fundamental para comprovar a viabilidade técnica e econômica da produção de uvas sem a utilização de agrotóxicos na região, validando o modelo de negócio sustentável.
O desenvolvimento do projeto foi viabilizado por meio de uma parceria estratégica entre a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta Regional), o Instituto Federal e o Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque (Sindusvinho). Essa cooperação entre órgãos de tecnologia, educação e o setor produtivo é essencial para a modernização do agronegócio regional.
A produção ocorre em uma área de 4 mil metros quadrados, onde estão plantadas mais de 1,3 mil videiras. Mais do que uma unidade produtiva, o espaço funciona como uma “sala de aula a céu aberto” para os estudantes do curso de Enologia do Instituto Federal, promovendo a formação de mão de obra qualificada em técnicas agroecológicas.
O modelo de cultivo adotado baseia-se em pilares de sustentabilidade. São utilizadas linhas alternadas, onde a vegetação nativa e as plantas espontâneas são mantidas em fileiras intercaladas. Essa estratégia de proteção natural cria um habitat para insetos benéficos que combatem pragas da videira, eliminando a necessidade de defensivos químicos sintéticos.
Além do manejo do solo, a colheita é realizada de forma manual, com a retirada individual dos cachos. Esse processo permite a avaliação rigorosa de critérios de cor, textura e doçura, garantindo a qualidade da matéria-prima. Após a colheita, as uvas passam por etapas rigorosas de extração e envase para assegurar a pureza do produto final.
De acordo com o presidente do Sindusvinho, Alex de Moraes, o diferencial do sabor premiado reside na “mistura exata e equilibrada de duas variedades tradicionais de uva: a Bordô e a Isabel”. A precisão no blend das variedades, somada ao rigor técnico da produção orgânica, posicionou o produto no topo do ranking nacional de enologia.
Com informações do G1