Tráfego no Estreito de Ormuz atinge recorde após acordo entre Irã e EUA

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas para a economia global, registrou na última terça-feira (23) a maior movimentação de navios de carga desde o início da guerra no Oriente Médio, ocorrida no fim de fevereiro. De acordo com dados da plataforma Kpler, pelo menos 35 embarcações atravessaram a região, marcando um ponto de recuperação após a assinatura de um memorando de entendimento entre o Irã e os Estados Unidos.

Apesar do recorde recente, o volume de tráfego ainda está longe dos níveis de normalidade. Atualmente, a movimentação representa quase um terço do que era registrado em períodos de paz, quando a média diária era de aproximadamente 120 navios. O estreito é fundamental para o comércio mundial de hidrocarbonetos — como petróleo e gás natural —, e qualquer instabilidade na região impacta diretamente os custos de transporte e a oferta global de energia.

O impacto do conflito foi severo entre 1º de março e 14 de junho, período em que a média de travessia caiu para menos de 10 navios de carga por dia. A tendência de alta começou em 15 de junho, logo após o anúncio do acordo diplomático, elevando a média para 21 navios, chegando a 27 embarcações nos últimos cinco dias antes do pico registrado na terça-feira.

A reabertura da via ocorreu na semana passada, fruto de negociações para encerrar as hostilidades no Oriente Médio. No entanto, a estabilidade permanece frágil. No último sábado, Teerã havia anunciado o fechamento do estreito como resposta a ataques de Israel no Líbano, o que gerou nova tensão nos mercados financeiros e de commodities.

Posteriormente, Estados Unidos e Irã alcançaram um novo entendimento sobre mecanismos para interromper os confrontos no Líbano e assegurar a livre navegação e a segurança no Estreito de Ormuz, permitindo a retomada do fluxo de cargas.

Contudo, a governança da região deve mudar. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou em declaração citada pela agência oficial Irna: “A administração do Estreito de Ormuz nunca mais será a mesma de antes da guerra”.

Segundo Ghalibaf, o Irã passará a administrar a via marítima. Essa mudança gera incertezas no setor de logística e comércio exterior, especialmente sobre a possibilidade de a Teerã instituir a cobrança de taxas para a transitagem de navios por Ormuz, o que poderia elevar os custos operacionais e, consequentemente, pressionar a inflação de produtos derivados de petróleo globalmente.

Com informações do G1

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