Novas mariposas em Manaus: espécies homenageiam orixás e revelam biodiversidade

O que a ciência acreditava ser uma única espécie de mariposa, descrita ainda em 1818, revelou-se um complexo de diversas espécies. Um estudo recente, publicado na revista Scientific Reports, identificou oito delas no Brasil, com quatro espécies descritas especificamente nos arredores de Manaus (AM), na Reserva Florestal Adolpho Ducke

As novas oito espécies de mariposas, cada uma representada por uma letra, antes eram classificadas como apenas uma, Eois russearia. Semelhanças morfológicas impossibilitam classificação precisa a olho nu. Foto: Georgette Paola Ancajima/IB-Unicamp
As novas oito espécies de mariposas, cada uma representada por uma letra, antes eram classificadas como apenas uma, Eois russearia. Semelhanças morfológicas impossibilitam classificação precisa a olho nu. Foto: Georgette Paola Ancajima/IB-Unicamp

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As novas espécies amazônicas foram nomeadas como E. oxumare, E. orumila, E. iroco e E. stantonae. A escolha dos nomes busca trazer um caráter anticolonial, substituindo a tradição de referências gregas e romanas por homenagens a orixás do candomblé e da umbanda, além de um tributo a uma pesquisadora da USP.

Para diferenciar as mariposas, que são visualmente quase idênticas, os pesquisadores da Unicamp e USP utilizaram técnicas moleculares e a análise da genitália feminina. “Quando se analisa o órgão sexual feminino das mariposas, a diferença é muito grande”, explica Simeão de Souza Moraes, coordenador do estudo

(a) Male habitus (b) Male habitu (c) Male genitalia (d) Male genitalia (e) Male genitalia. Foto: Reprodução/Artigo

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Outro fator determinante foi a relação com as plantas hospedeiras do gênero Piper (como a pimenta-do-reino). A equipe observou que cada espécie de mariposa interage com uma planta específica, o que sugere que a biodiversidade em regiões baixas da Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal é muito maior do que se imaginava

Foto: Divulgação / Unicamp

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A descoberta é fundamental para entender as interações ecológicas na região e abrir portas para prospecções biotecnológicas, já que as lagartas sequestram compostos naturais das plantas que podem ter utilidade científica e industrial.

Com informações do Portal Amazônia.

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