Em fevereiro de 1919, em meio à pandemia de Gripe Espanhola, Porto Velho recebeu Eurico Alfredo Nelson. Aos 56 anos, o sueco-americano chegou à capital de Rondônia intermediado por Knox-Little, gerente da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e cônsul britânico, que solicitou a cessão do salão da municipalidade para a realização de “serviços religiosos”.
Embora a cidade-empresa já possuísse um salão evangélico desde 1908, a iniciativa de Nelson marcou o primeiro ato público oficial do protestantismo na vila, que na época era dominada pela Igreja Católica sob a liderança do padre e político Raimundo Oliveira.

A Igreja Batista tornou-se a segunda denominação a se estabelecer em Porto Velho, consolidando-se como parte da fundação da cidade. A presença protestante já era sentida por meio de profissionais da ferrovia, como os médicos Carl Lovelace e William Emrich, reforçando a influência de engenheiros e médicos estrangeiros na fé local.
Conhecido como o “Apóstolo da Amazônia”, Eurico Nelson teve uma trajetória singular: ex-caubói nos Estados Unidos, ele chegou ao Brasil em 1891 via Belém, onde sobrevivia vendendo Bíblias em inglês no porto. Consagrado ao ministério em 1993, em Recife, tornou-se missionário oficial da Junta de Richmond, da Virgínia (EUA).
Após fundar a primeira Igreja Batista da Amazônia no Pará, Nelson percorreu a região em barcos e canoas, semeando o evangelho. Esse ciclo missionário culminou na constituição efetiva da igreja em Porto Velho, em 1921, com dez membros fundadores.
A missão de Eurico Nelson durou até 1939, quando faleceu aos 76 anos em Carajás, no interior do Pará, devido a complicações causadas pela ingestão de peixes em más condições.
Com informações do Portal Amazônia.