Meta demite 8 mil funcionários para acelerar investimentos em IA

A Meta, empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, vive um momento de forte contradição. Enquanto as finanças batem recordes, o clima interno é descrito como tóxico, marcado por demissões em massa, vigilância rigorosa e a saída de talentos.

A instabilidade atinge a força de trabalho há mais de um ano. Somente este ano, a companhia eliminou aproximadamente 8.000 cargos, o que representa quase 10% de seu quadro de funcionários. No total, cerca de um quinto dos empregados foram afetados por demissões, cortes de postos ou transferências forçadas nos últimos doze meses.

Esse cenário ocorre apesar da saúde financeira da gigante. Impulsionada pela receita de publicidade, a Meta registrou lucros de quase 23 bilhões de dólares (119 bilhões de reais) no primeiro trimestre, um salto de 30% em comparação ao ano anterior.

O motivo do aperto interno é a aposta agressiva de Mark Zuckerberg na inteligência artificial (IA). Para financiar a infraestrutura necessária, a empresa planeja investir até 145 bilhões de dólares (750 bilhões de reais) este ano, quase o dobro do investimento feito no ano passado.

A pressão por resultados gerou o que a imprensa americana chama de “cultura do medo”. Além dos cortes, a empresa implementou a “Iniciativa de Aprimoramento das Capacidades do Modelo”, que monitorava cliques, digitações e o histórico de navegação de funcionários nos Estados Unidos para treinar a IA.

Zuckerberg defendeu a medida em reunião interna, afirmando que “Os modelos de IA aprendem observando pessoas realmente inteligentes fazendo coisas”. No entanto, a iniciativa foi suspensa em 22 de junho após mais de 1.600 funcionários assinarem uma petição comparando a empresa a uma “fábrica de extração de dados”. A suspensão ocorreu também após uma falha expor conversas privadas e métricas de desempenho de funcionários.

Além da crise interna, a Meta enfrenta batalhas judiciais. Em março, a empresa foi considerada culpada por um júri em Los Angeles pelos efeitos da dependência em redes sociais, além de outra condenação no Novo México por negligência na proteção de menores.

No campo técnico, a Meta tenta alcançar concorrentes como Google, OpenAI e Anthropic. Contudo, nem todos dentro da casa estão convencidos. Yann LeCun, vencedor do Prêmio Turing e referência em informática, afirmou ao Financial Times que a busca por “superinteligência” baseada nos modelos atuais de linguagem da Meta leva a “um beco sem saída”.

Com informações do G1

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